Diário: Depois de Papademos, o que é que vem?
O desgoverno grego já não é uma novidade. Ja não nos surpreendemos com os protestos da população nem com a impassividade dos governantes. Por isso, não causou muita surpresa a revelação, segunda-feira, do calendário das eleições para o parlamento do país: abril de 2012. Apesar do governo de Papademos, que assumiu funções em novembro, poder estar em funções até outubro de 2013, a pressa demonstrada pelo primeiro-ministro em abandonar o cargo para onde foi empurrado “à força” é clara.
O próprio Papademos tinha anunciado, quando assumiu o governo, que o seu mandato seria de curta duração e apenas o tempo necessário para negociar um acordo que permitisse o pagamento de parte da dívida grega e o financiamento externo para evitar a falência. Na altura, chegou a avançar-se que as eleições seriam em fevereiro, mas os sucessivos atrasos, avanços e recuos nas negociações acabaram por adiar a votação.
Papademos sairá do governo grego daqui a dois meses com o sentimento de dever cumprido: era um tecnocrata chamado para negociar um acordo e conseguiu-o. A grande interrogação que se levanta é: “então e agora?”. A Grécia está longe de estar salva e o acordo aprovado definitivamente no domingo foi apenas mais um balão de oxigénio para alguns meses.
Apesar das novas eleições os protagonistas serão novamente os mesmos: Antonis Samaras, da Nova Democracia, tentará o regresso da direita ao poder, depois de em outubro de 2009 Konstantinos Karamanlis, então primeiro-ministro e líder do partido, ter sido a primeira vítima da crise grega; do lado dos socialistas do PASOK, George Papandreou, que saiu da chefia do governo em novembro, continua na liderança e, em dois meses, não é expectável que algo mude.
Assim, em abril poderemos ter mais do mesmo na Grécia, seja o PASOK ou da Nova Democracia a vencer as eleições. Contudo, mais grave e não menos provável, é a possibilidade de não haver uma maioria absoluta (recorde-se que a maioria atual do PASOK é ténue e não evitou a demissão de Papandreou). Nesse cenário, o futuro da Grécia continuará a ser uma dolorosa incógnita, a que a Europa assiste sem encontrar respostas.
João M. Vargas, diretor. Escreve às terças-feiras.





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