Diário: Convergências, a Sério?
O PS e a Renovação Comunista reuniram ontem. O motivo do encontro foi encontrar convergências à esquerda. Com o PS. Com os socialistas que, depois de tomarem parte num acordo que fez do Orçamento de Estado 2012 um dos mais recessivos de sempre, resolveram abster-se em toda e qualquer decisão que seja preponderante na vida de Portugal.
Esse PS, que agora se lembrou ser de esquerda, mal se apanhe mais uma vez no Governo, não haverá sequer de lembrar-se que se reuniu com os comunistas pela renovação.
As convergências são benéficas, só ajudam a esquerda a fazer oposição – mas essa convergência deve ser feita em sede própria, e essa sede é o sítio onde tudo se vota e tudo se decide – o Parlamento.
Por outro lado, a Renovação – que já nas Presidenciais 2010 apoiou Manuel Alegre – anda a ver se se governa. Esta associação, que quer a todo o custo uma esquerda maior e mais forte, recusa-se a procurar a consenso dentro do PCP.
Todos sabem que o Partido Comunista só é simpático às convergências do ponto de vista interno, o que muito o tem prejudicado. E todos melhor ou pior se lembram do que aconteceu aos reformistas. É difícil, mas a Renovação Comunista devia voltar a insistir na vida do PC, na recuperação de ideias pela defesa dos trabalhadores e pelas formas como se organizam.
E é preciso ser cauteloso. Muito cauteloso. Os interesses socialistas por uma maioria de esquerda convergente são sol de pouca dura. E expiram em 2015. Nem mais, nem menos.
Sara Recharte, editora





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