Geração André

01/01/2012 por

Geração André

25 de Dezembro. Foi o último dia do André na redacção. Sentou-se à mesa, no bar, como se fosse ficar ali para sempre. Como se aquela fosse a sua casa. Como se a dedicação e o brilhantismo de seis meses de estágio fossem suficientes para garantir um lugar entre nós.

O André foi o melhor estagiário que passou por aquela redacção desde que cheguei. O André trabalhou dia e noite, fez sábados, domingos e feriados. Dispensou folgas, esqueceu horários, correu, transpirou, apanhou chuva, frio e voltou sempre com aquele sorriso de quem ama o jornalismo. O André fez reportagens brilhantes: entrevistou ministros, pescadores, sem-abrigo, artistas de circo, sempre com o mesmo rigor, a mesma dedicação, o mesmo profissionalismo. O André aprendeu a editar, a legendar, a sonorizar e a escrever como poucos. O André será um grande jornalista deste país, se o país deixar. O André foi-se embora no dia de Natal, depois de mais uma jornada de intenso trabalho na redacção. Acabou o estágio.

A crise. A crise. A “crise diz” que não há espaço para o André numa empresa com nove milhões de lucro. O André não é bom. O André é muito bom. Mas ser muito bom não chega num país liderado por medíocres. E é este o drama da geração do André. Esqueçam esse eufemismo da “geração à rasca”. Esta é a geração sem futuro num país liderado por uma geração parida pelas “vacas gordas” do cavaquismo à qual o guterrismo deu de mamar. É esta, sim. É esta a geração que mostrou o rabo indignada contra o aumento de meia-dúzia de tostões nas propinas. Tão rebeldes que eles eram.

Chegou ao poder a geração do “baixa as calças”, a geração jota. É a mesma coisa. Quando não havia emprego, sobrava o partido. Quando não havia partido, sobrava o amigo do partido, ou uma sociedade de advogados. E foi andando assim, nos anos loucos do Portugal do “Progresso” de Cavaco Silva, ou no país da “Razão e Coração” de Guterres. Foi-se o Progresso, ficou o monstro do Estado cheio de parasitas. Faltou a razão e o coração começou a vacilar. Já instalada nos corredores do poder, a geração habituada a baixar as calças, indignada claro, calou-se e deixou-se embalar. O poder… O poder ali tão perto.

Hoje, é a geração que cresceu no tempo das “vacas-gordas” que vem falar de flexibilização laboral. Que fale. Que avance para a reforma do mercado de trabalho, sem medo, mas que entenda que isso só faz sentido se for para proteger os “Andrés” deste país. O problema é que a geração do poder, habituada a baixar as calças, fala pelos livros: leu por aí qualquer coisa sobre isso. Sopraram-lhe.

É disso que os abutres gostam: de quem baixa as calças e não sabe muito bem do que fala. É aqui que mora o perigo.

A reforma da legislação laboral deve ser feita em nome dos miúdos como o André e não para desafogar empresas que em dez anos acumularam mais de 500 milhões de lucro. O ponto de honra tem de ser outro: valorizar o mérito e conceder oportunidade a quem mostra que tem valor. Dói? Vai doer a alguém, claro. Vai doer a quem está há anos encostado, por preguiça, a fazer os serviços mínimos na empresa, a quem não acrescenta valor, a quem não veste a camisola, nem está disposto a inovar e a tentar fazer diferente todos os dias. A esses vai doer. Que doa!

Essa reforma deve ser feita tendo por base a ideia de que um estagiário como o André, brilhante, depois de seis meses a pagar para trabalhar, não pode não ser absorvido por uma empresa que dá nove milhões de lucro. Não pode. Doa a quem doer. Se para isso é preciso flexibilizar o despedimento do medíocre, do preguiçoso, do incompetente, vamos a isso. Um país que desperdiça a geração do André é um país condenado. Estes miúdos já não exigem um emprego para a vida. Querem apenas uma oportunidade.

Bem, deixemo-nos de utopias. Quando o poder é financeiro e os líderes medíocres, já toda a gente percebeu onde é que isto vai parar. Os deputados que alteram a Lei trabalham nas sociedades de advogados que prestam serviços às empresas interessadas em despedir. Está tudo dito. Um pouco como o contrato da barragem do Tua. O ministério do Ambiente tutela parte do processo e o contrato de concessão com a EDP, que pressupõe uma indemnização de quase 100 milhões de euros em caso de quebra, tem sido seguido pela antiga firma de advogados da ministra.

Deixemo-nos de utopias, de facto. Esta será mais uma reforma perdida para a maioria. O André continuará a enviar currículos. As empresas vão aproveitar a crise e a Lei. Um dia, o André acordará cansado e sem forma de continuar a trabalhar de borla em nome do sonho. Ou emigra, ou acaba na caixa do hipermercado para pagar a renda da casa que partilha com os amigos. “Não há drama”, grita a geração do poder. Pois não. Nem futuro.

 

Notícias relacionadas

Tags

Partilhar

189 Comentários

  1. Rita Melo

    Mudam os tempos, continuam a singrar as vontades de quem as pode impor. Sou apenas mais um de tantos Andrés.

    • Filipe Mendonça

      Rita, está nas vossas mãos também. Na capacidade de mostrarem valor e indignação. De LUTAREM, no fundo. Lutarem com tudo o que isso significa.

      • O problema é que quando se passam os dias a tentar ganhar o suficiente para ter tecto onde dormir e comida para meter à boca num estágio mal pago sem garantias de futuro vai-se o tempo e a força de vontade para lutar.

        Eu concordo, é preciso levantar a voz e lutar por um futuro melhor mas quando vivemos num país onde cada vez há mais pessoas na situação do André restam os filhos das vacas gordas, que mamaram durante anos, como os unicos com tempo e dinheiro para lutar pelos seus interesses.

        Se calhar sou demasiado pessimista, demasiado fatalista, demasiado Português diria até mas é a triste visão da realidade que muita da minha geração partilha.

        • JR

          E quando se faz um estágio profissional obrigatório com duração superior a 2 anos e se trabalha sem receber um único tostão? Isso é que é dar o corpo ao manifesto e ajudar a fomentar a economia…

          • Carlos

            Só trabalha de borla quem quer. Se ninguém aceitasse eles não teriam alternativa a não se rpagar.

          • NM

            Caro Carlos, vá mas é ver telenovelas, porque realmente deve ser esse o mundo em que vive… Só trabalha de borla quem quer??? enfim…

          • Anonymous

            A isso chama-se exploração autorizada

        • Anonymous

          Em vez de despedir os Andrés deviam fiscalizar os que já lá estão encostados a fazer o mínimo assim o país ia prá frente, porque os Andrés de hoje não sabem o que é estar encostado a fazer o mínimo, os Andrés só sabem trabalhar, com ânimo, com garra e por amor à camisola.
          Talvez daqui a 50 anos esses mesmos Andrés, se tivessem tido uma oportunidade, talvez estivessem encostados também, mas se fossem continuamente fiscalizados de modo a obter resultados de trabalho, talvez continuassem sempre com o mesmo vigor dos Andrés de agora.

      • Ana Esteves

        INCRÍVEL… sem palavras, um texto tão magnifíco e que espelha tão bem a nossa situação! OS MEUS PARABÉNS!!
        É triste sentirmos esta realidade, uma realidade onde somos enganados, onde para sermos advogados (apresentando aqui uma outra situação) temos de pagar 2000 EUROS (!!!) a uma ordem, estar 2 anos a estagiar por favor, de graça e “agradecendo” todos os dias pela oportunidade… de ter de pagar para estagiar e aprender (vindo estas constantes novidades de um bastonário (Marinho Pinto) que sempre defendeu os pobres e um caminho para uma formação grátis na era pós- Rogério Alves). Muito mais havia para dizer.. mas Boa sorte a todos nesta luta. Muitos Parabéns ao Filipe, obrigado por estar tão “perto” de nós.

    • Sara Ferreira

      Eu também, mas nós também podemos impor as nossas vontades e é isso que tem de ser feito.

  2. Rui

    Fortissimo! Muito bom Filipe Mendonça.. tiraste as palavras da boca, de muita gente!

  3. Filipa Araújo

    Perfeito!

  4. Eduardo Rocha

    Pela qualidade do texto, diria que o Filipe é o estagiário…

    • JL

      Pela sua resposta eu diria que faz parte da geração das “vacas gordas”!

      • Joana Moreira

        Não apreendi o comentário acima como sendo depreciativo.
        Entendi-o como um elogio ao autor, uma vez que não se deixou encostar como tantos por aí. Ou é estagiário porque ainda tem o fogo e paixão para fazer bom pelo gosto de fazer bom, ou é um profissional como deveriam haver mais e não deixa que o fogo se apague.

        • Miguel Pires

          x2… foi um comentário, sem dúvida alguma, irónico e nada depreciativo!

      • Eduardo Castro Fonseca

        Sim JL, o comentário de cima foi um elogio.

  5. aimar é deus

    São 2 questões diferentes. Uma juridica e uma económica.
    Questão juridica:
    A reforma do mercado laboral, o senhor aborda-a apenas superficialmente. Não vale a pena comentar.

    Questão económica:
    A empresa dá 9 milhões de lucro. Se se contratar o andré passar a da 8 milhões e tal, não se contrata o andré. Se se contratar o andré a empresas passar a dar 9+ milhões de euros então aí depende da prespectiva da empresa. Num país que não cresce nem demograficamente, nem económicamente seria de esperar ser contratado.

    O que merece ser debatido é pagar para trabalhar.

    • Andreia

      Estava a ver que ninguém reparava neste detalhe, pagar para trabalhar!
      Ainda é o que me causa mais estranheza no meio disto tudo, é que a generalidade acha normal que se pague para trabalhar. É como se para provar que se “merece” trabalhar seja necessário o exercício da escravatura.

      • HB

        Parece-me que há um equivoco no conceito de estágio profissional.
        Quando um estudante está numa universidade e paga as suas propinas está a pagar para ter formação.
        Quando um estudante está numa empresa e paga ou não recebe nada também está a receber formação mas num contexto diferente, num contexto empreserial.
        Um estágio não é um emprego, um estágio é formação, tal como a universidade, mas num contexto diferente.
        É de criticar é os estágios que nada tem que ver com os objectios que se pretendem alcançar, como por exemplo colocar um estagiário em direito a fazer trabalho de uma secretária ou um estagiário em informática a embalar computadores.

        • Maria

          Um estágio é sem dúvida uma formação. Mas neste caso, uma formação que está a dar lucro a alguém e como tal, deveria ser paga. Nem que seja paga a um preço simbólico. O passe, os almoços, sei lá. Só se for paga é valorizada pela empresa que forma alguém.
          Sou completamente contra estágios não-remunerados. O problema é que em Portugal, toda a gente acha normal que se trabalhe sem se ser pago… Porque se trata de um serviço que determinada empresa faz? Ó diabo, e os estagiários não produzem riqueza para essa empresa?

        • RR

          Parece-me que o senhor está equivocado em relação à diferença entre um estágio curricular e um estágio profissional…

          • Anonymous

            Oh valha-me deus… e lá por ser curricular não está a dar lucro a alguém? A empresa pode pagar pelo menos os custos directos (transportes, alimentação)

  6. aimar é deus

    São 2 questões diferentes. Uma juridica e uma económica.
    Questão juridica:
    A reforma do mercado laboral, o senhor aborda-a apenas superficialmente. Não vale a pena comentar.

    Questão económica:
    A empresa dá 9 milhões de lucro. Se se contratar o andré passar a da 8 milhões e tal, não se contrata o andré. Se se contratar o andré a empresas passar a dar 9+ milhões de euros então aí depende da prespectiva da empresa. Num país que não cresce nem demograficamente, nem económicamente seria de esperar ser contratado.

    O que merece ser debatido é pagar para trabalhar.

    • Anonymous

      “economicamente” não leva acento.

    • fv

      Se a empresa contratar o André e despedir o encostado e o preguiçoso, se calhar passa a dar 10 milhões de lucro e essa sim é a questão!

      • Pedro

        ah pois é !!! esse é o cerne da questão. Mas neste país isso não se faz. Pagar pouco para depois as pessoas terem espaço de manobra para se encostarem. O menor denominador comum!

    • joao

      despeçam o ‘aimar é deus’ e contratem o andré. o saldo vai ser positivo de certeza, eh…

  7. Parabéns por um retrato tão bem elaborado do que tem sido o percurso de várias décadas de um Jornalismo em decadência. Obrigado pela coerência do retrato. Disse.

  8. Daniel Figueiredo

    Texto e ideias muito boas e sensatas. Os meus parabéns.
    Só tenho alguma dificuldade em perceber como vamos nós lutar quando a mentalidade do povo é a do “alguém há-de vir resolver”… um neo-sebastianismo como eu lhe chamo. Depois de tantos cortes, de tantas injustiças, tantos escândalos e roubos que passam impunes… Resumindo e para não me alongar muito. O Cavaco que tem uma boa parte da responsabilidade agora é presidente da republica… o Durão revelou-se mole e fugiu enquanto pôde… O Guterres agora anda preocupado com os refugiados…e o outro agora é filosofo, de nome e parecendo que não é mais um curso. Que este, pelo menos, não seja tirado por telefone ao domingo… todos os dias assistimos serenamente à valsa das cadeiras, com gentalha como Loureiros, Isaltinos, Limas entre tantos outros que todos sabemos e conhecemos e apesar de tudo isto, envergonha-me um povo que com tanta história, tanta cultura e tanto know-how, prefira ver a casa dos segredos e esperar que alguém resolva.
    Felizmente não estou numa situação como o “André”, mas ainda assim assusta-me a situação e mais ainda a falta de soluções para ela.
    Para terminar deixo só duas medidas, estas sim ajudavam a combater a crise.

    1 – Proibição de financiamento dos partidos por parte de entidades privadas e publico-privadas. Arranjem soluções de auto financiamento. No fundo é o mesmo que dizer “Vão trabalhar”.

    2 – Proibição a ex-ministros / ex-deputados de exercerem qualquer tipo de funções em empresas que de alguma forma tiveram contratos/parcerias com o estado.

    Só estas duas por si só tiravam o povo desta miséria encoberta por esta gente sem valores nem escrúpulos.

    Em frente malta, mostrar a esta gentinha quem realmente manda nisto.

    Abraço

    • Daniel Caleça

      Gostei Daniel Figueiredo! A história principal “Geração André” do Filipe Mendonça está bastsnte boa com o complemento do seu texto.

      Cumprimentos.

    • clara

      Mais uma modesta sugestão… Não se pode culpar exclusivamente o(s) governo(s) quando é sabido que são as grandes corporações e interesses econónicos que determinam as leis e mesmo os políticos no poder (como diz brilhantemnte o Filipe Mendonça)… Para combater isso, porque é que não se estabelece um limite máximo para o lucro que uma empresa pode fazer? Como os bancos… 200 milhões pode ser pouco, é melhor deixarmos de contratar pessoas e fazer as que temos trabalhar o dobro, senão despedimo-las. Aposto que se o lucro máximo permitido fosse, a título de exemplo, 50 milhões – e isso já me parece um absurdo! – e se os 200 milhões extra fossem para o estado, estes seriam aproveitados para melhores salários, mais pessoal com melhores condições, estágios remunerados, etc. E hey, se fossem para o estado, talvez pudessem ser bem investidos de volta nas pessoas de cujo suor, sangue e lágrimas sairam!!

      • Vasco Morais

        E lá fugiam o resto dos Jerónimos?? Não que discorde de uma medida dessas… mas isso só faria com q a debandada se acentuasse à procura de melhores condições. Ou existe uma homogeneização das taxas, dos salários,.., a nível europeu/mundial, ou andaremos sempre a tapar buracos abrindo outros tantos.

        Isso e uma justiça “à séria”… sem compadrios e politicas de favores. Já chega de ver prender quem rouba para comer… e ver livre os que roubam protegidos por este sistema… um cancro. Caduco, prepotente, que nos quer fazer acreditar que andámos todos a gastar o que não podíamos.

        E quanto ao dinheiro ir para o estado… viu-se bem o que fizeram com milhões ao longo dos anos… ficaram os zeros.

        • Tuxa

          Calma, calma!!
          Esclareçam-me lá de uma coisa, por favor! Já se questionaram, do porquê de tantos Andrés com “cursos superiores” tirados em escolas privadas??!! Não estiveram os papás dos Andrés a usufruir dos fundos das “vacas gordas”?
          Já pensaram que ao serem despedidos os “encostados” grande percentagem dos Andrés teriam os pais desempregados?!!
          Onde é que está a justiça?!!

      • Pedro

        Clara podes sempre começar a tua empresa ou convecer outras pessoas a fazê-lo. O dinheiro investe-se de onde se tira o maior retorno. A culpa não é dos patrões nem das empresas grandes.

    • Anonymous

      Subscrevo.

  9. Diogo Oliveira

    Muito bom! O mais enervante é a forma cínica e programada como nos foram moldando a mentalidade. Se temos de lutar? Temos! Porquê? Todos sabem porquê, mas aparece sempre alguma desculpa “sensata” ou alguma “razão lógica” ou até em último recurso, a justificação de que “é um mal necessário”, e depois… não lutamos. E atenção… que a luta da voz alta e dos cartazes funcionava quando quem governava conhecia o significado da palavra “vergonha” e ainda tinha consciência e fé numa coisa melhor. A luta que temos de fazer TEM de ser de choque.

  10. Eu vim para o Brasil depois de trabalhar em redacções com gente embrutecida e arrogante sem capacidade crítica e estagiários que trabalham que nem loucos na ilusão de ser recompensados pelas suas boas prestações.
    Um dia, um jornalista recém-reformado perguntou-me “estás filiado? estás próximo de algum partido? não? assim vai ser difícil…”.
    Moro agora em Salvador, Brasil…

  11. Mónica

    Aplaudo de pé, este texto! Identifico-me TOTALMENTE nas suas palavras!

  12. “Se para isso é preciso flexibilizar o despedimento do medíocre, do preguiçoso, do incompetente, vamos a isso.”

    Ponderei desfilar no 12 de Março, mas desaconselharam-me.

    A minha faixa dizia algo muito simples:

    Sim aos despedimentos
    Sim às contratações
    Sim à Meritócracia

    Eu julgava que era uma faixa consensual.

    • fv

      Frederico! É triste mas é verdade!! Concordo a 100% com a tua faixa e creio que esse é o caminho certo!

    • Pedro

      Não é concensual. E os partidos de esquerda são os primeiros a não quererem isso. Somos todos iguais para – dizem eles demagógicamente!

    • José Henriques

      E fizeste bem em não ir! Sim aos despedimentos? Com base em quê? Na falta de jeito? Ou consideras-te tão bom que não haja ninguém melhor que tu? Ficav-mos assim num círculo vicioso muito fixe: temos 1 trabalhador, mas agora vi este que é melhor, despeço o outro, contrato este e assim que vier outro melhor despeço este e meto o outro. Se me perguntarem estou a dar valor ao mérito.
      Se é isto que defendes ainda bem que não foste no dia 12. E é claro que os partidos de esquerda não defendem isto. Pelo direito ao trabalho com condições dignas muita gente boa sacrificou muita coisa, alguns até a vida. E um tipo que escreve “concensual” duvido que tenha mérito para entrar em algum jornal, pois termos todos os mesmos direitos, não faz de nós todos igualmente capazes, mas sim dá-nos possibilidades iguais de nos podermos formar adequadamente e usufruindo dos mesmos direitos e deveres.

  13. Sérgio Caetano

    É o estado do nosso país, das empresas milionárias que só querem encher os bolsos..Posso dizer que o jornalismo é a minha vida, e depois de 12 meses de estágio, do bom trabalho que realizei, e da minha constante evolução, ainda tinha esperança de continuar a minha vida que sempre sonhei naquela empresa…mas como já é habitual as mesmas palavras saem da boca, “crise”, “não há poder económico para sustentar mais um”…mas pronto.

    Gostei deste desabado, através das palavras do jornalista Filipe Mendonça. Algo que acontece por todo o país…..onde as “cunhas” prevalecem acima de um bom profissional.

    Abraço a todos os utilizadores….

  14. Bruno Madeira

    Parabéns pelo artigo.

    Obrigado pela empatia e pelo grito.

  15. Amigo do André

    O que sucedeu com isto tudo, é q o andré já se pirou para a Suiça…

    • Urtencio

      Juízo teve ele!! e a seguir vou eu…

    • André

      O André não se pirou para a Suíça. O André ainda cá está porque ainda acredita neste país. Talvez seja esse o problema.

      • Alexandre Gomes

        Como eu te entendo…

        É triste ser um dos poucos que não se limita a praguejar contra um país que simplesmente está podre e ser recompensado com uma e outra bofetada…

        Mas lá está, como o povo diz, até um pontapé no traseiro nos faz andar para a frente..

        Um dia há-de melhorar, espero apenas que esse dia não seja tarde demais..

      • oi-io

        O André excelente estagiário que deixe mas é o seu contacto algures à vista para ser catrapiscado por gente que entende e sabe o que é preciso fazer.

        Naturalmente que se o André foi tão exemplar na sua experiência de trabalho, essa competência sempre lhe há-de valer alguma coisa no pouco futuro que lhe resta, dependendo dos cabelos brancos que adquiriu.

        Vacas há sempre, algumas ficam a mascar chiclet toda a vida com o maior ar da sua inteligência.

        Outras ainda se fazem valer.

    • ines

      O problema da Suíça é que já encheu! E agora os portuguese que para lá vão são explorados (mas não ao nível de Portugal). Torna-se difícil viver num país novo, sobretudo quando as coisas lá são tão caras e apesar de recebermos melhor, não recebemos o suficiente. Para terem uma ideia, uma pequena costeleta de porco custa cerca de 3 euritos…
      Eu vou antes para a Alemanha, ganho mais, gasto menos e há mais emprego.

  16. Sofia Pereira

    Antes de mais Parabéns pelo artigo de excelente qualidade !

    Sou mais um de muitos “Andrés” e “Andreias”. Tirei Comunicação numa universidade portuguesa. Quando entrei ainda prometiam o estágio no fim do curso mas Bolonha chegou e o estágio acabou. Ainda assim passaram a “oferecer” a possibilidade de estágio (na sua maioria não remunerados) caso o aluno estivesse disposto a pagar mais um semestre (pagar para trabalhar portanto). Na altura a ideia pareceu-me ridícula e resolvi eu correr sozinha atras do que queria.
    Correu bem… dentro do possível. Ainda durante o último semestre consegui estágio em redacção (ainda que não remunerado), após três meses terminava e não havia lugar para mais jornalistas pagos. Ainda antes de sair já estavam à procura do próximo jornalista estagiário não remunerado.
    Terminei o curso, dei férias a mim mesma e após o descanso voltei a enviar cvs. Não me posso queixar que o trabalho tenha escasseado mas e ter recebido por todo ele?! Durante cerca de seis meses vivi numa troca constante de trabalhos, um mês à experiência aqui e outro acolá, ao fim de um mês começariam supostamente a pagar mas os segundos meses nunca chegavam.
    Por fim fui acolhida numa empresa de comunicação à qual ainda hoje gosto de chamar “casa”. Tive sorte talvez… E se ainda vivesse em Portugal era lá que gostaria de continuar mas… Recebia quase que apenas o salário mínimo… As esperanças de aumento nos próximos anos eram nulas (ainda que os meus cargos foram tendo alguma evolução enquanto lá trabalhei). Vivendo em casa dos meus pais não haveria problemas mas peço desculpa se sou um ser humano e tenho ambições como ter a minha casa, constituir família, etc.
    Acabei por me candidatar a Mestrados no Reino Unido, entrei e vim com parte do pouco que consegui juntar na conta bancária mas sempre sabendo que se algo corresse mal existiriam os “papás” (é isso sim… Somos uma geração que a bem ou a mal há-de precisar muito dos pais, pelo menos enquanto as rendas forem altas e os ordenados baixos). Não foi necessário… Aqui as coisas funcionam de forma totalmente diferente. Por um part-time consigo receber o dobro do que recebia em Portugal e quem acha que é um país caro que se engane. Os preços estão totalmente de acordo com o que se recebe. Na sua maioria são até mais baixos que os presentes em Portugal (não contando com transportes apenas).
    Já me alonguei bastante e quero apenas concluir com o facto que hoje este é um país que me dá mais que a terra lusitana à beira mar plantada alguma vez me deu.
    Pelas terras da Rainha ficarei mais uns anos mas já faço planos de ir para o Brasil de seguida.

    Tenho saudades de viver contigo meu Portugal mas agora não dá… Um dia quem sabe !

    • catarina

      sim, saudades de viver ctg, Portugal… é por aí mesmo…

      Parabéns Sofia…também eu não sonhava viver para assistir ao que se passa no nosso país e não, viver noutro país da Europa, excepção talvez a rendas e transportes não é mais caro, tudo o resto chega a ser até mais barato…

      Portugal está a perder gente que quer e gosta de trabalhar e vão restando os encostados e os que ainda n conseguem virar costas à família…

    • maria augusta

      Comoveu-me a sua mensagem, sou mãe, tenho 2 filhas, uma de 34 anos também a residir no Reino Unido, não encontrou cá as condições para ficar e tenho outra com 20 anos que se prepara para rumar ao Brasil. Tenho dentro de mim uma grande angustia, em ver partir os nossos jovens, que de uma maneira geral, têm habilitações muito superiores a esta cambada que nos governa.

      • Sofia Pereira

        O importante é não baixar os braços… não importa onde, temos um Mundo pela nossa frente !

        Boa sorte para a sua filha, tudo correrá bem !

  17. Carla Santos

    Depois de 13 anos, estou trancada entre quatro paredes,frias e cruéis, a espera que a coragem se esgote de lutar pelos direitos que me querem convencer que não tenho. Tenho vergonha de viver neste país! Carla Santos

    • Valdemar

      Não percas o teu tempo, a tua energia e o teu talento. Faz como eu e alguns dos que comentaram por aqui.
      Escolhe o país que te pareça mais adequado. Junta dinheiro suficiente para a viajem, leva o valor de dois meses de comida e renda e nos próximos quatro anos não olhes para trás… Muita Sorte!

      • JMS

        Parabéns! Ao articulista. Ao André e a quem o educou e ensinou. A quem ficou cá a lutar. A quem partiu para lutar. Em especial ao valdemar, que deu uma sugestão concreta com um plano de acção!

  18. Filipe, obrigada pela prosa e pelo testemunho, que, infelizmente, todos nós conhecemos. Continua a ser triste…muito mesmo!

  19. Teresa Castro Viana

    Escrevo isto em meu nome e em nome de muitos (muitos mesmo) que estão comigo neste barco. Ao ler o texto “Geração André” (http://www.e-clique.com/destaque/geracao-andre/) apercebi-me que há muitos como eu… com os meus sonhos, a minha vontade e a minha garra. Mais difícil que lutar contra eles, mais difícil que lutar contra a concorrência (que é feroz), é lutar contra um mundo cão, em que o talento e a competência não são suficientes. Falta sempre um bocadinho assim. A nós, a mim, só me falta uma oportunidade. Já levo três estágios na bagagem, que fizeram de mim uma pessoa melhor e uma profissional mais competente. Aprendi coisas que nunca me ensinaram em três anos de curso e conheci pessoas a quem tiro o chapéu todos os dias. Foram das experiências mais enriquecedoras que tive na vida mas o que é bom tem acabado depressa. Ainda assim, perdida entre a certeza do meu valor e a incerteza do meu futuro, vou continuar a lutar. Todos os dias. Trago comigo o sonho do jornalismo e a vontade de partilhar histórias, trago comigo a vontade de fazer a diferença e de trabalhar naquilo que me faz acordar todos os dias com um sorriso nos lábios. Não vou desistir porque acredito em mim, porque acredito no “André” que sou.

    • ines

      3 anos de curso… que sorte! Há quem pague propinas 5 anos para depois ter que pagar mais para trabalhar de borla.

  20. Sara Lajas

    Parabéns pelo texto. Tantos Andrés neste país….tantos Andrés entre nós. Identifico-me com o texto e com o testemunho de tantas pessoas que aqui deixaram o seu comentário.
    Um país que não aposta na força da sua juventude, atenção, daquele juventude que quer realmente ser alguma coisa, que quer deixar marca, que quer sair debaixo da asa dos pais, que quer começar a sua vida e ainda assim não deixar de se mostrar com capacidades muitas vezes superiores aos ditos cargos superiores das empresas.
    Comecem a limpeza geral, uma mudança nunca fez mal a ninguém, desde que seja para melhor! Mas tirar de cima quem não fez nada para lá estar seria um bom começo!

  21. eu não teria escrito melhor… 5 estrelas!

  22. Parabéns pelo excelente texto, caro Filipe Mendonça. Assertividade e crueza nas palavras. Eu fui igualmente um dos “Andrés” deste país. Até ao dia em que me fartei e emigrei. Quem perde é Portugal. E muito. E é triste assistir-se àqueles que ficando pelo oportunismo medíocre dos favores das jotas ou da influência dos padrinhos criadores da mediocracia reinante, julgam viver num lugar justo e gerador de futuro. A cada dia, Portugal empobrece. E infelizmente não é apenas economicamente.

  23. Pedro Abreu

    Eu fugi de Aveiro porque lá, a meritocracia era inexistente… Lisboa tem um bocado mais disso, mas só porque aqui há mais “lugares” para preencher. Continuamos a anos luz dos standards dos paises nórdicos e anglo-saxonicos e por isso estamos condenados a ser um país que vive na zona cinzenta entre o 1º e o 3º mundo.

  24. Caro Filipe Mendonça,

    Quero agradecer-lhe pela grandeza de espírito, clareza nas palavras e riqueza das imagens! Estou com o André… estou com todos os Andrés neste país!

    Obrigado pelo ENORME texto!

    Grande abraço,

    João

  25. Ricardo Santos

    Boa Tarde,

    relativamente as afirmações de que cabe aos jovens licenciados desempregados ou não, lutarem pelos seus direitos e conseguirem vencer, gostava de perguntar o que é que as pessoas que isso escreveram esperam que se possa fazer.
    Entrar pela assembleia e partir tudo? Andar pelas ruas em manifestações e levar com a polícia em cima?
    Não fomos nós que mete mos o Sr. Mário Soares no poder quando ele encheu os bolsos com a descolonização, após milhares de portugueses terem morrido na guerra colonial. Também não fomos n´so que elegemos o Sr Cavaco Silva que teve a brilhante ideia de acabar com as fábricas e passar tudo para o sector terciário. Também me parece que não fomos nós que metemos no poder o Sr Guterres que gastou 10 vezes mais do que aquilo que deviamos ter gasto. Teremos sido nós que metemos o Sr Durão Barroso no poder, para ele ter feito o que fez? E vejam como ele defende agora o seu próprio povo…Fomos nós que durante as duas ultimas décadas esbanjamos dinheiro com cartões de crédito quando não tinhamos poder económico para isso? Fomos nós que por o vizinho ter também quisemos ter e depois perdemos tudo? NÃO, NÃO FOMOS NÓS, nós fomos aqueles que fomos apelidados de “geração rasca”, fomos aqueles que fomos mais longe e que estudamos como nenhuma outra geração, somos aqueles que têm bem mais competências do que os actuais líderes e gestores mas não somos nós que continuamos a votar neles. E que podemos fazer nós? Sem emprego, sem possibilidade de ter independencia…Vocês não são totalmente os culpados, não são, mas foram vocês que deixaram que a classe política esteja onde está, e continue a fazer o que sempre fez.

  26. Filipe Pereira

    Mais um texto bonito a juntar a tantos outros que por ai tenho lido.
    A verdade é que por cinco minutos todos se vao sentir solidarios e depois passam a frente. O André, esse vai continuar sem emprego e todos os que agoram escrevem a apoiar a causa, vao olhar para o seu umbigo e continuar as suas vidinhas.

    Nao é a Geraçao A Rasca, é a Geraçao do Cinismo. Quando vir uma luta real e digna junto-me a ela de alma e coraçao. Entretanto leio estes textos, encolho os ombros…… e olho para o meu umbigo.

    • Mais uma "Andreia"

      Sem querer ofender, à Geração do Cinismo pertences tu, que estás à espera que os outros façam acontecer para te juntares à causa. Porque é que não tomas tu a iniciativa? Porque é que estás no conforto do teu sofá a criticar os textos “bonitos” e não crias tu uma “luta real e digna”? Assim juntavamo-nos nós de alma e coração ao movimento… Já pensaste que Portugal está na ruína neste momento porque há dezenas de anos que há gente a ver as coisas mal, a encolher os ombros, a concentrar-se no próprio umbigo e a pensar “quem vier a seguir que resolva”?! Há muito tempo que estão a assistir ao desmoronamento do país, mas continuam à espera que alguém crie uma “luta real e digna” para se juntarem a ela de “alma e coração”.

  27. Sofia Graça

    Muitos parabéns pelo artigo, o qual fala por tantos “Andrés” e “Andreias” deste país.
    Não é apenas na área da comunicação que esta questão se sucede, infelizmente ela é transversal a todas as áreas da nossa sociedade. Sou professora e vi-me obrigada a fazer as malas e voar para longe, bem longe, Timor-Leste, para conseguir trabalhar.
    Na verdade depende de todos nós a reviravolta deste massacre, vamos deixar de ser invejosos, hipócritas, mesquinhos e deixarmos de competir uns com os outros por uma ninharia. Devemos unir-nos e lutar pelos nossos direitos. Não baixemos as cabeças. Lembrem-se que se temos canudos nas mãos é porque trabalhámos em part-times para isso, ou então as nossas famílias fizeram um esforço desumano para que tal acontecesse.
    Não se calem nem deixem que outros decidam o nosso futuro!

  28. Diogo Conceição

    André, não desistas.

  29. Sara Garrido

    E cada vez vai ser pior…

  30. MS

    Sim, o texto está excelente. No entanto queria salientar que, muitos daqueles que “baixaram as calças” na era cavaquista ainda se encontram, tal como a Geração André, à procura de um lugar nesta sociedade… Muitos têm cursos e trabalham atrás de uma caixa de supermercado, ou num emprego precário ou então são POCs (desempregados num programa ocupacional) numa entidade institucional…

  31. Muito bom, os meus parabéns pelo artigo.

  32. Espalha Brasas

    O André podia reunir um conjunto de pessoas iguais a si e começar um serviço jornalístico online de qualidade, igual a dezenas de outros que são iniciados com muito esforço e dedicação que acabam por dar frutos passados alguns anos com um exit chorudo para uma empresa de media.

    Ou não, o André afinal é mesmo português “de gema” e vai procurar trabalho “a serio” por conta de outro. Alguém que tenha corrido os riscos e que só se interesse pelos milhões de lucro (nós devíamos estar agradecidos, vamos receber 20 e tal porcento desses lucros sem termos feito uma palha).

  33. Paulo

    O André quis ser jornalista. Eu queria ser astronauta. Por mais que ande a pagar para estagiar não consigo emprego. Alguém me ajuda ? Parece que faltam mecãnicos, lavradores, canalizadores, electrcistas, etc, mas astronautas ninguém procura. Porque será ? Que eu saiba nem existem muitos Portugueses a tentar esta via profissional.

    • Valdemar

      O seu comentário, Paulo, é a demonstração real daquelas pessoas que, infelizmente perdem os seus sonhos e se resignam.
      Deixemos a mecânica aos que gostam e são bons em mecânica (e eu conheço alguns), ou a canalização, ou outra actividade àqueles que têm essa vocação…
      Não se preocupe que se você for para Astronauta continuarão a haver pessoas a gostar e a querer fazer os ofícios que comenta.
      Ah, e já agora, sim que é possível ser Astronauta. Não eu Portugal certamente, mas inclusive nascendo em Portugal poderá sê-lo.

    • Mais uma "Andreia"

      O que o Paulo não sabe é que há muitos “Andrés” a oferecerem-se para canalizadores, electricistas, mecânicos, recepcionistas, empregados de mesa, telefonistas, operadores de lojas, etc, mas a “geração das vacas gordas” é medíocre em tudo, até no espírito. Exigem aos Andrés que mintam no currículo vitae, têm de colocar as habilitações académicas que possuem conforme o emprego a que se candidatam, porque as “vacas gordas” têm medo que uma pessoa com o 12º ano ou com uma licenciatura se torne num melhor mecânico ou lavrador do que elas. Depois há o factor idade, as “vacas gordas” acham que para um André ser responsável naquilo que faz tem de ter mais de 25 anos, mas se tiver mais de 30 anos já se torna velho para ser um operador de loja, por exemplo. Essas mesmas “vacas gordas” que ao fim de 10 a 20 anos num posto de trabalho, pouco ou nada evoluíram e começaram do zero, exigem ao André experiência profissional na área. E atenção, porque escrevo isto baseada na minha experiência de vida. Sou uma jovem licenciada, que terminou o curso e queria/precisava de trabalhar. Concorri para vários tipos de emprego, porque eu queria era trabalhar. Como era licenciada raramente me chamavam para entrevista. Lutei muito para tirar uma licenciatura da qual me orgulho, para depois ter que a esconder, isto se queria uma oportunidade de emprego. Senti que ter uma licenciatura no currículo era quase a mesma coisa que ter cadastro judicial. Comecei a omiti-la, consequentemente comecei a ser chamada para as entrevistas. Terminei a minha licenciatura com 20 anos e em vez de encher o peito de orgulho por em 15 anos de aprendizagem nunca ter reprovado ou deixado uma cadeira para trás, senti pena de não ter chumbado uns anos, porque houve “vacas gordas” que me disseram que era muito nova para ser operadora de loja, por exemplo. Mais vale burra e velha do que inteligente e jovem. E depois há ainda a questão de exigirem experiência profissional até para lavar escadas, parece que há uns anos atrás as pessoas já nasciam com experiência… Ainda não percebi é como… Na brincadeira, cheguei a dizer a muita gente que estava prestes a ingressar pelo mundo da prostituição, porque num país de velhos e experientes é a única profissão onde não exigem experiência profissional, dão preferência às pessoas jovens e dão trabalho às pessoas independentemente das habilitações académicas que estas possuem. Parece um exagero, mas é esta a realidade do nosso país. Felizmente, e porque sou persistente, lá consegui arranjar um emprego num hipermercado. Porém, tenho amigas que continuam à procura de uma qualquer oportunidade de emprego e ainda tem de ouvir coisas (que eu já ouvi muitas vezes, infelizmente) como “os jovens não querem é trabalhar, porque emprego não falta” da boca das “vacas gordas” deste país.

    • Astronauta empregado em Portugal.

      Pois eu também quis ser astronauta, mas a diferença é que em vez de pedir ajuda em blogs, fui aprender para outro país. Fui buscar competências que as escolas e empresas em Portugal onde poderia aprender a ser canalizador, mecânico, electricista e lavrador não tinham para me dar. Poderia ser piloto de aviões de combate, mas para isso tinha de ir para a “tropa” dos coronéis e generais sem uma batalha (quanto mais uma vitória) que povoam este país, por todo o lado, de cima a baixo. Não iria para cima, nem para o lado.

      Com a minha saída, que tanto custa mas que apenas custa à primeira e apenas se alimenta de coragem, ganhei a experiência e os conhecimentos de que necessitava para vir para Portugal construir os meus vaivéns e montar o meu próprio exército. Tenho 36 anos e saí há 10. Voltei há 7 e agora voo em vôos modestos mas sou “astronauta”, criei o meu próprio emprego e um campo novo no meu país – alguém cá é astronauta? – e o meu exército leva já muitas batalhas ganhas. Somos 14 a tempo completo mais 6 a tempo parcial. Criei emprego a 20 pessoas cujo sonho também era ser astronauta. Que fez o Paulo para ser astronauta, a quem deu emprego com a sua prosa, e que ganhou o país com as suas metáforas?

      • RR

        Tens todo o mérito por tudo o que realizaste, mas ainda bem que tinhas papás para te pagarem os estudos no estrangeiro, porque de outra forma, o que seria de ti neste momento?

    • Maria

      Paulo, desculpe que lhe diga que o Sr. já cá n está! Numa sociedade ocidental, europeia, em que os recursos básicos estão assegurados, então não se há-de lutar pelos sonhos porquê? Pela vocação, por apetecer levantar de manhã para se fazer uma coisa que se gosta? Não fazem falta mais licenciados? Está tudo perfeito? Os jornais dizem coisas inteligentes sempre? Os noticiários não têm erros? O ensino é ideal? Os professores estão a mais? Os que fazem greve não querem trabalhar? Isto não soa, deixa cá ver, a fascismo? Manda-se os intelectuais embora, ficam os pobres coitados de espírito, facilmente domináveis. Caramba! Parece que voltamos aos anos 40.
      A lavagem cerebral vigente é muito poderosa… Faz-se acreditar os tontos que os licenciados são parvos em exigirem emprego na área em que foram preparados (com muito investimento do estado, diga-se de passagem, com muito investimento da sociedade). Então, não há emprego em Portugal, que emigrem. Toda a gente acha normal que 4 elementos do estado digam isto abertamente? Noutro país qq, com pessoas menos lavadas do cérebro, esta gente já tinha sido obrigada a demitir-se por muito menos.

  34. andre

    Mais um!

    lutar? nao vale a pena. se nao os podes vencer junta-te a eles

  35. Tiago

    Parabéns pelo artigo, vou concerteza partilhar de imediato visto que concordo com tudo em pleno e revejo-me no andré todos os anos, infelizmente.
    Por um lado emigrar parece a melhor solução, por outro quero ainda acreditar neste cantinho da europa que está no centro do mundo. A geração dos meus pais e avós já não vai fazer grande coisa de novo porque já se encostaram, é só ver quando são entrevistados na rua ou nos comícios, ou esses grandes revolucionários comunistas que nem a cassete nos discursos renovam, 30 e tal anos depois.
    Se não for a minha geração e a dos meus sobrinhos, ou filhos, quando tiver um emprego “normal” para os poder ter, a mudar isto, Portugal vai andar à deriva até entrar naquele grande grupo de países de 3º mundo.

    Abraço,

    Tiag… err… André

  36. Inês Correia Matos

    Acho absolutamente deplorável que aqui haja pessoas que vêm com a maior das naturalidades dizer que as pessoas têm de esquecer a sua vocação e ir trabalhar para aquilo que o país precisa (canalizadores,e electricistas, etc). Eu tirei o curso de Ciências da Comunicação e, neste momento, ando a fazer limpezas com a minha mãe. Se recebo o mínimo, sim? Se o meu sonho sempre foi trabalhar como correspondente num grande jornal, foi? Se vou viver o resto da minha vida frustrada porque houve uma destas empresas com lucro de milhões que não me deu oportunidade? Também. Por isso, Exmo. Sr. Paulo, se não conseguiu ser astronauta talvez seja pela ignorância que esse seu comentário demonstra.

  37. Paulo Pinto

    “Se para isso é preciso flexibilizar o despedimento do medíocre, do preguiçoso, do incompetente, vamos a isso. ”
    É isso que este Governo, ao contrário dos anteriores, está a tentar fazer.
    cumprimentos

    • Made in China

      Claro,e as recentes nomeações dos boys do PSD e PP para altos cargos de gestão de empresas,do género Águas de Portugal,comprovam essa sua ideia… clap clap clap

  38. Rita Maggie

    “ser muito bom não chega” é mesmo verdade .Adorei.Parabéns.

  39. cidadão

    Gostei de ler o artigo sobretudo quanto á análise geracional e governativa destes ultimos 30 anos.
    Sob pena de ser apedrejado digo o seguinte:
    nasci no final dos anos 60 e vivi “intensamente” os anos 80, onde ainda deu para “curtir” o ilusionismo neo-liberal dos anos 80 com a respectiva integração de Portugal na CEE com os anos subsequentes do guterrismo e do cavaquistão.
    O que tenho a dizer destas novas gerações, sobretudo, daquela geração que foi apelidada de (á)rasca é que compreendo a total desilusão dos jovens em não encontrarem colocação no mercado laboral nacional nas áreas para as quais obtiveram cursos/licenciaturas.
    Também eu já passei por aquilo que o André passou. Mas, provavelmente, até já passei por muito mais do que o André está agora a viver. No entanto consegui superar porque, como se costuma dizer “fiz-me á vida” trabalhando em tudo e mais alguma coisa até conseguir um dia uma oportunidade de voltar a trabalhar na minha area profissional.
    E é esta mensagem que quero aqui deixar.
    Já estive desempregado, já trabalhei por conta de outrem e hoje sou um profissional liberal que criou a sua própria empresa com “sangue suor e lágrimas”.Hoje, dou “trabalho”,e não “emprego”!. São coisas diferentes. emprego e trabalho!!
    Lamentavelmente, verifico que grande parte dos jovens que fazem estagio comigo procuram apenas um emprego!e torcem o nariz ao trabalho!; para esses não há lugar na minha empresa; não têm “garra, fibra, esforço e dedicação” para trabalhar, apesar de alguns se acharem o máximo pois pensam que por terem um “simples” curso terão todos os direitos; para esses não há lugar na minha empresa. já pensei se seria um problema da apelidada geração “rasca”…
    Certamente o André será uma excepção na multidão e comigo não passaria despercebido;provavelmente o André terá de trabalhar noutras coisas para se manter; e depois qual é o drama se o André tiver de trabalhar numa caixa de supermercado!? ou numa operadora de telemarketing?…aqui em Portugal ou no estrangeiro??… os meninos(as) tem que aprender que as vitórias e as desilusões profissionais fazem parte da vida. Há que persistir, lutar e supera-las!!
    termino com um excerto de uma musica Portuguesa dos anos 80, dos herois do mar, cuja letra dizia que ” dos fracos não reza a história…”

  40. anónimo2

    Este André para além de fins-de-de semana, feriados e férias deu noites, dormiu na empresa, assumiu funções muito acima do cargo desempenhado, deu a cara pelos gestores da empresa. Foi pago, 720 euros durante 1 ano e 910 durante 2 anos, teve contrato a tempo indeterminado até ao dia em que perdeu o casamento, ganhou um esgotamento e quis abrandar um pouco. Pôs férias, gozou 4 semanas de férias, e quando regressou ao activo propôs à gerência cumprir o horário de contrato durante algum tempo no lugar das habituais 12-14 horas por sentir que necessitava dormir para não voltar a quebrar. Este mau exemplo foi a gota de água para a gerência. A partir daí este André para além da responsabilidade de alguns projectos que tinha em mão teve de arrumar a sala de arrumos, tarefa que teve de repetir 3 vezes por incompetência pura e dura, pois não foi do agrado da gerência a forma como organizou os prezados bens da empresa, foi humilhado perante os colegas mais do que uma vez, desautorizado perante todos, insultado simplesmente para deleite de um dos sócios gerentes um pouco mais sádico e resistiu,pois, tal como a geração anterior, aprendeu a baixar as calças. Face aos contínuos ataques da gerência,a sua dignidade chegou ao limite e como revolta passou a cumprir o seu horário de contrato, perdeu o tão anunciado e chorudo prémio de produtividade, e passou a ser simplesmente insultado até ao dia em que alguém se lembrou que, tal como outros Andrés da empresa, este André levou para casa trabalho para fazer nas férias para adiantar projectos para deleite da gerência numa altura em que este André assumia a empresa como uma parte também sua. Foi preparado o guião, feito o teatro de que tinha havido fuga de informação e este, em conjunto com outros 3, felizmente um pouco menos Andrés, foi coagido a assinar a carta de rescisão sob ameaça de um processo por roubo. Este André não tinha dinheiro para pagar advogados cujos honorários por hora ultrapassavam o valor de dois dias do seu trabalho. Antevendo um processo sem fim e os respectivos honorários acumulados assinou a tal carta de rescisão, amontoou os seus livros que tinha acumulado na empresa e que, por algum mero acaso já tinham sido numerados e identificados como pertencendo à empresa apesar do proprietário estar identificado, limpou a sua secretária e, perante os olhares aterrorizados dos restantes membros da empresa abandonou e nunca mais voltou.
    Face ao descrédito que tem na cultura do trabalho que se pratica em empresas em território nacional este André decidiu utilizar o conhecimento adquirido por desempenhar tantas outras funções de gerência e começou trabalhar por conta própria. Passado algum tempo fundou a sua empresa e agora depara-se com outro problema, o incumprimento de pagamentos e a falta de seriedade dos clientes. Este André poderia ter uma vida mais desafogada se pagassem, poderia inclusivamente contratar terceiros e criar emprego, mas em vez disso teve de pagar IVA de 3 em 3 meses de montantes que não recebe há mais de um ano e pior, vai ter de pagar 25% de imposto de dinheiro que, por não ter sido pago, não pode ser utilizado (para por exemplo: contratar um outro André, ou simplesmente comprar algum material de que necessário) e por isso conta como lucro em termos contabilísticos e de tributação. Como é que o André vai poder pagar este imposto? Com um segundo emprego, ou pagando a advogados?…
    O estado Português não estimula o empreendorismo que é a base de qualquer sistema económico. O único mecanismo que este e outros Andrés têm de se “safar” ao IVA ou Imposto sobre “lucros” é dizendo que o cliente não pagou, sujeitando-se a uma auditoria em que toda a sua vida financeira e privada é vasculhada por alguém que o vai tratar como sendo um criminoso a querer fugir aos impostos, sujeitando os seus clientes, não pagadores e pagadores, ao mesmo e no fim, o que é que o André vê? NADA… O estado apenas retira os impostos pois o resto não lhe diz respeito.
    O André está a um passo de Emigrar. Não o queria fazer mas se calhar não tem alternativa. Se vai voltar a Portugal? Claro que sim, nas férias para visitar a família. Vai pagar impostos ao estado Português? Se for obrigado a tal irá requerer dupla nacionalidade e esquecer-se para sempre do país em que nasceu e passará a ser um turista como outro qualquer.
    Este país é só para “alguns”, os mais corruptos, os mais medíocres, os mais oportunistas e apenas favorece quem é rico ou quem rouba milhões, o que por vezes é reciproco. E o povo nada faz… “Brandos costumes” já dizia o outro.

  41. Ferreira Azevedo

    Tapam-nos o caminho, com leis elaborados pelos escritórios de advogados que vivem em função do lucro dos sócios e interesses pessoais. Desconhecia essa do processo em que funciona a sociedade da ministra. Eliminem-se estes escritórios para bem do País…Essa vergonha de partidos, lobbies políticos e avenças com sociedades de advogados.

    • Luís Andrade

      De facto muito bom. Aplaudo de pé. Bem me parecia que a Ministra protegia a sua sociedade de advogados no meio disto tudo.

  42. Muito bem! Eu gostaria de acrescentar que, em Portugal, apesar de estarmos rodeados de pessoas inteligentes e capazes, estas não estão colocadas nos lugares que merecem e são constantemente desconsideradas e substituídas por incompetentes.

  43. Helio Faria

    “Sentou-se à mesa, no bar, como se fosse ficar ali para sempre. Como se aquela fosse a sua casa.”

    lol

    No bar é que se está bem.

  44. Raquel Póvoas

    Muito bom mesmo! E, sem dúvida, o André tem uma qualidade do “caraças”. Merece uma oportunidade do tamanho do mundo!

  45. Cascão Simões

    Na rua lutando também se transformam as Sociedades . não podemos ficar sentados no conforto do sofá .

  46. Anonymous

    Hoje ouvi do meu chefe que tenho sorte por ter trabalho, que em boa verdade não tenho, passo recibos, sem contrato, sem férias, sem seguro de saúde e, aparentemente, sem qualquer consideração, porque na verdade ninguém reconhece o esforço de andar na corda bamba sem saber a que dia recebe, ou se recebe e ainda assim ter de se levantar de manhã com um sorriso para ir trabalhar, dizer bom dia num dia mau, chegar a casa e continuar a trabalhar, noites, feriados e fins de semana, noutros projectos, noutros ofícios, porque nem só de sonhos vive o corpo. Hoje, talvez o meu chefe aprenda a dar valor aos que trabalham para si, por si, porque amanhã não vai ter ninguém para fazer o trabalho dele, sem aviso, sem consideração, acto recíproco. Talvez tenha de fechar, talvez arranje outra pessoa com menos qualificação… mas talvez aprenda qualquer coisa…

  47. Mariana Pinto

    Sou um caso paradigmático da “Geração André”: nos últimos 3 anos, entre períodos de estudo e de trabalho (não remunerada ou remunerada no limiar na sobrevivência), estudei em Lisboa, estudei em Paris, trabalhei em Nova Iorque, estudei e trabalhei em Itália e agora trabalho em Bruxelas. (quase)Sempre não remunerada. Já paguei (ou melhor, os meus pais), e muito, para trabalhar! Este estado de escravatura sempre me chocou, mas qual seria a alternativa?.. Em todos os meus “trabalhos”, a esmagadora maioria dos meus chefes eram e são menos qualificados que eu. Em todos estes trabalhos a minha situação de precariedade e exploração foi sempre desvalorizada. Pois então se eu estava a aprender tanto!? Pois então se eu tinha o privilégio de trabalhar em instituições internacionais de alto relevo!? Com certeza não me poderia queixar…

    Infelizmente, só se vão safando os países escandinavos e anglo-saxónicos. Tudo o resto é mais do mesmo.

    Deixo para reflexão: pois se a toda uma geração é vedado o acesso ao verdadeiro mercado de trabalho, esse em que as pessoas recebem salários e pagam impostos, quem é que vai contribuir com os impostos necessários para manter nem que seja uma sombra do velho Estado Social!?

  48. Tiago Campino

    Eu, “André” que para ajudar a família comecei a trabalhar aos 14 anos na hotelaria e assim fui seguindo os estudos até ao 9.º ano, foram 10 anos de hotelaria até que ao fim desse tempo e com a vida estabilizada, decidi apostar em mim e fui concluir a minha formação académica, assim tirei o curso de animador sócio-cultural no fim do curso procurei estágio profissional e nem isso consegui. Adivinhem, para poder sustentar a minha família voltei para a hotelaria.

  49. Darling

    Parabéns pelo texto – um murro certeiro no olho do rebanho anestesiado que se chama Portugal.
    Mas uma terrível dúvida assalta-me: o que vai acontecer quando uma nova lei laboral flexível cair nas mãos do típico “patrão” tuga?
    Quando um instrumento de transparência laboral e de promoção do mérito se transformar numa arma de vingança de quem não tem um pingo de ética (essa coisa exótica da Finlândia ou quê) e quer finalmente acertar contas com décadas de leis laborais esquerdelhas e cegas que (admita-se) só protegiam o empregado e nunca o empregador?
    “Mérito? Pró olho da rua e já!”
    Medo.

    • Filipe Mendonça

      Foi isso quis deixar também à reflexão. Já se viu onde isto vai parar.

  50. carvalho

    Antes de mais parabéns pelo artigo!
    Já que estamos a falar das nossas vidas…
    Trabalhei desde os 13 anos em hotelaria, em que quando não estava na escola estava lá. Acabei o 12º com média de 17.1 e entrei em Radiologia. Não era o meu sonho, mas face ao que eu queria, as perspectivas de emprego (na altura) eram boas, por isso não concorri a Matemática Aplicada que era o que eu ambicionava. Acabaei o curso algum tempo atrás, não tenho emprego. culpa minha? de certo há quem ache que sim… fiz um estágio voluntário num Hospital Central (não interessa qual), não fiquei, não havia vagas. Posteriormente fiz um curso de aperfeiçoamento em RM e nada…depois disso fui a uma entrevista de emprego, em que eu pagava para trabalhar durante três meses sem garantias de mais nada, e não aceitei. Nessa mesma altura, há três meses atrás, contactaram-me de uma loja, na qual eu tinha entregue CV quando acabei o curso, ou seja, muito tempo depois, se eu ainda estaria interessada…claro que sim! trabalhei muito, esqueci horários e afins e acabado o contracto a resposta foi trabalho muito bom, gostamos mesmo muito, mas a crise não permite! e o tempo volta atrás, mais uma vez e volto a trabalhar com o meu pai…desonra? nenhuma! simplesmente tanto trabalho, esforço e dinheiro não valeram de nada! e este é o Portugal que temos…como disse no seu texto “Mas ser muito bom não chega num país liderado por medíocres.” Vergonhoso ainda é os nossos governantes aconselharem a emigração dos nossos “Andrés”, e muitos responderiamos que além de vergonhoso, não temos dinheiro para o bilhete de avião! E desculpem adoro o meu país Portugal, sempre o será, com orgulho, mas de algumas pessoas, não destas que nos obrigam a isto! deste eu tenho vergonha! Não temos oportunidades, e sinceramente já não temos sonhos! Não temos nada…(peço desculpa pelo desabafo…).

  51. Filipe,

    Subscrevo e dou os meus parabéns pelo excelente artigo.
    Partilho, com todo o gosto!

    Cps,
    JA

  52. José Azevedo

    Excelente artigo
    Parabens ao seu autor(naturalmente outro André, mas com sorte diferente), infelizmente estes País está cheio de “Andrés” mal aproveitados por andrezinhos que se julgão Andrezões.
    Um abraço e sorte para o verdadeiro ANDRÉ.
    José Azevedo

  53. Miguel

    É certo que há a geração André mas, por outro lado, há aqueles que são da geração “baixa as calças” que, por não terem baixado as calças, trabalham em empresas de comunicação que dão 9 milhões de lucro há quase 20 anos e nunca se livraram do estatuto de “colaboradores” o que quer dizer que andam com o livro de recibos verdes às costas.
    Tenho 40 anos, já passei por alguns dos maiores jornais nacionais (ainda estou num deles)e nunca deixei de ser colaborador.
    Há a geração André, mas há os outros que dificilmente, pela idade, têm menos tempo e motivos para sonhar com uma mudança que ainda os apanhe no activo.

  54. Vanessa Soares

    Os meus sinceros parabéns Filipe! Sem medos e rodeios, aqui está a realidade parasita de um país que poderia ser digamos “diferente”, infelizmente Filipe creio que por enquanto a revolta e indignação verdadeiras não se vislumbram com capacidade suficiente para começar a verificar mutações reais e tão necessárias.
    Agradeço-lhe por exprimir de forma tão genuina e verdadeira a realidade cruel com que nos vislumbramos e sem capacidade de actuação. Afinal quem é Portugal???

    Os meus sinceros Cumprimentos

  55. VITOR ROCHA

    De quantos Andrés, foi feito o nosso país nos últimos 30 anos? Acreditámos na CEE, e deixámos-nos ficar por cá, porque acreditámos que era possível…
    Mas esses senhores polítiquinhos da treta, conseguiram minar este país de cima abaixo, e hoje conseguimos ser um dos países mais corruptos do Mundo, essa é que é a verdade internacional. Por muito que esperneiem é mesmo essa a verdade.
    “AGORA E A PARTIR DAQUI DÊM A VOLTA A ESTA QUESTÃO, QUE É AQUELA PORQUE NÓS SOMOS AVALIADOS NOS PAÍSES ESTRANGEIROS.

  56. Anti-Geração à Rasca

    Boas noites a todos. Concordo que há muitas injustiças, e que há muitos Andrés, mas acho ridículo falar-se numa geração inteira de injustiçados. Acho sim, que há uma geração que prefere ir a manifestações do que fazer a sua parte.

    Falando apenas daquilo que vejo, 90% a malta que vejo actualmente no curso onde estou (CC na FCSH) que vai a manifestações da geração à rasca, e se queixa de cortes no ensino superior, é malta que faz os mínimos na sua licenciatura (estuda por apontamentos de outros anos, não lê textos e não vai às aulas, etc). Porquê? Porque esse trabalho todo não é preciso… para passar, ou seja, para acabar o curso. Por isso é que há muito licenciado que não tem emprego quando acaba o curso, porque em vez de aprender aquilo que o curso lhe oferece, aprende apenas aquilo que precisa para o acabar e para ter o diploma. A postura dos estudantes do ensino superior devia ser a de uma abertura ao que ao que o curso oferece, e não a de fazer as coisas como se estivessem no secundário.

    E atenção que eu não censuro malta que não faça tudo o que há para fazer no curso, e que estude na véspera e fique satisfeita em passar. Há malta que não tem tempo para se dedicar mais ao curso, seja porque trabalha, porque tem outras áreas de estudo, whatever.

    Agora, é hipócrita que quem não está 100% empenhado num curso se venha queixar que não há oferta para si no mercado de trabalho. Estamos numa crise, há menos procura de trabalho, por isso se querem ter emprego no final da licenciatura…trabalhem mais! Esforcem-se mais! E pode ser que tenham sorte.

    Quero por fim, dizer, que sou solidário com a situação do André, cuja situação não desejo a ninguém. Agora o que não suporto é que haja muita gente que se assuma como “André” e não tenha tido a mesma dedicação que ele, segundo o autor deste texto, teve.

    • Isabel

      Desculpe a curiosidade…
      Como é que este semi-licenciados (que é o que são, segundo a sua descrição) conseguem ter sucesso no estrangeiro?

      • Andreia

        Desculpem a intromissão. Isabel, conheço e sei bem do que se fala aqui. Tive muitos colegas semi-licenciados. Pessoas preguiçosas e mal-formadas que só pensam nelas… não têm qualquer problema em ultrapassar regras nem os outros!

        Tive um colega que entrou num contingente especial, com média de 11, porque era coxo, com tanta gente com médias acima que ficou de fora. Aproveitou essa oportunidade? Não! Passaram-se 6 anos, eu já terminei o meu curso e o meu mestrado e ele ainda ali anda, a passar a cadeiras às custas de outros e coisas que tais.

        O futuro desses semi-licenciados não passa pelo estrangeiro! Se passar será como empregados de caixa ou de limpeza. Porque pessoas destas não têm mérito nem nunca o hão de ter. Não têm objectivos de vida e, se há justiça, não têm sucesso!

        • espadinha a.k.a. anti geração coiso

          Eu não fiz esse julgamento atenção. A única coisa que disse é que não faz sentido a malta queixar-se de falta de emprego e usar a licenciatura como argumento, se essa licenciatura é algo fácil de concluir. Sendo fácil de concluir, é importante que as pessoas que querem ter emprego nessa área se apliquem mais do que aquilo que o curso exige.

    • Gi

      Vê-se mesmo que ainda não te fizeste à vida…

    • Pedro Coelho

      O notório conhecimento do mercado de trabalho, bem como do âmbito das manifestações ou das actividades extra-curriculares nas quais os teus colegas participam deixa-me muito satisfeito.

      Mais satisfeito ainda deixa-me a tua dedicação inquestionável à faculdade e aos conteúdos nela leccionados.

      Incrivelmente surpreendido a coragem de assinar um comentário como ‘Anti-Geração à Rasca’. Os teus colegas que vão a manifestações, sejam elas quais forem e tenham ou não razão, assumem aquilo porque lutam e aquilo em que acreditam. Tu, consideres ou não justos os motivos pelos quais eles o fazem, devias ter a mesma ombridade e dignidade, assumindo as tuas palavras e as tuas lutas.

    • anónimo2

      Antes que morda a língua devo dizer-lhe que não é a média de curso que lhe vai abrir portas. O trabalho não lhe vai faltar basta para isso procurar, o que lhe vai faltar é a remuneração. Por muito bom que seja no que venha a fazer vai sempre ser vítima do oportunismo de quem lhe oferece “trabalho”. Quanto muito vai fazer 1 estágio remunerado com apoio do estado e um elevado número de estágios não remunerados. Por mais que se esforce, a maioria das empresas não vai reconhecer o seu valor porque é tudo uma relação de custo benefício. Se uma empresa pode ter alguém a trabalhar de graça num cargo X mesmo que a pessoa produza pouco o saldo é sempre positivo. É essa rotatividade que vai conhecer independente de ser um “André” ou um “Afonso”. Isso apenas acontece porque todos fazem tudo por apenas uma oportunidade e isso cria um mote para oportunistas.

      • Pedro

        O problema é que os portugueses querem tudo. Todos com trabalho e ninguém é punido por incompetência. Os cargos fixos e o acomodar-se ao lugar resultam em falta de qualidade do que é produzido. E por isso é que os nossos produtos vendem pouco lá fora – falta de qualidade. As pessoas devem formar empresas, procurar oportunidades e depois fazer coisas com qualidade que consigam vender cá e lá fora.

      • anónimo 3

        Eu ia responder ao comentário original do “anti-geração-à-rasca”, mas reparei que o seu comentário vai exactamente no mesmo sentido que eu queria enfatizar.
        Acrescento que faz sentido emigrar porque há de facto entidades que empregam e valorizam verdadeiros trabalhos de valor acrescentado, para os quais faz sentido estudar e onde se nota a diferença entre passar ou ser excelente, mas como é preciso investir e esperar pelo retorno a longo prazo, tais casos, em Portugal, morrem afogados por burocracia e concorrencia desleal criada pelos verdadeiros empresários/políticos portugueses.
        Entramos no ciclo vicioso de produzir sobretudo porcaria e apelar ao seu consumo para manter empregos…

    • Helio

      Isso por si só não é justificação. Eu saí com um boa média da faculdade, Estudei fui as aulas etc etc. Arranjei emprego? Sim arranjei, mas a trabalhar 12 horas por semana. Chegava-me? Pa viver sim. Agora é o suficiente? Não. Quero mais, quero crescer profissionalmente quero apreender mais do que m foi ensinado. Mas como eu, houve colegas que ainda hoje procuram, alguns com melhores notas.

      Mas numa coisa concordo. Não somos geração à rasca.
      Somos e continuaremos a ser nos próximos tempos a geração do desenrasca.
      Quem realmente quer, trabalhar, trabalha faz por isso. Não fica à espera que o emprego caia do céu.

      Manifestações? Assembleia da republica fazer barulho? Isso não é solução. E vê-se alguns dos que andaram a organizar essas manifestações o que aconteceu. Alguns já foram absorvidos pela maquina politica. Só está á rasca quem não quer fazer nada, quem não quer apreender nada. NOS SOMOS PORTUGUESES UM POVO POR SI SÓ QUE SE ADAPTA AO MEIO: NOS SOMO DESENRASCADOS E IREMOS SAIR DESTA PSEUDOCRISE CRIADA POR PSEUDO POLITICOS

  57. Para ti anti-geração

    Ao infeliz com o nome de “anti-geração a rasca”, so te digo assim : ou tens os bolsos do teu pai para te proteger ou nao conheces o país onde vives…

    • Anti-Geração à Rasca

      Eu não falo de uma eventual falta de oportunidades a quem merece no país. falo do assisto no ensino superior, que frequento, no qual grande parte dos alunos não faz um chouriço. (e contra mim falo, mas eu nao vou para manifestações de estudantes queixar-me)

      se queres usar as deixas básicas da geração “tão coitadinhos que nós somos”, força já agora mete um video dos homens da luta, e vai buscar a música dos deolinda, que são os gajos a quem estas manifestações dão dinheiro.

      • Henrique

        Se ainda estudas, só te tenho uma coisa a dizer… Boa sorte quando acabares o curso, ou então esse Anti vai passar a ser Geração a Rasca..

    • Andreia

      Infelizmente conhece… pode não ser a realidade de todo um país, mas espelha bem a realidade académica!

  58. teresa

    É um facto.
    O que fazer?
    Continuar. “parar é morrer”…..

  59. Raquel Batista

    Parabéns! o texto está magnifico, retrata cada segundo de uma geração que encarou a faculdade nao como uma obrigação, mas como mais um passo para atingir o sonho, uma geração que lutou por se formar….uma geração que, como eu, abandonou a familia no Alentejo para frequentar a faculdade… Eu, sou mais um dos “Andrés”, o meu sonho sempre foi a comunicação, o jornalismo, a noticia, o momento…. Fiz a minha licenciatura, paguei para trabalhar como o André e quando disse chega, o que me sobrou? Mudar de área… tentar a sorte em algo mais estável, algo que nao era o meu sonho mas que me pagava as contas de casa… E os meus pais? E os pais que durante uma licenciatura se esforçam para pagar as propinas dos filhos e o que recebem é “Pai não tenho trabalho, ninguém me quer pagar”.
    É triste ver caras bonitas com tios e padrinhos que entram pelas agencias de modelos, que vão para reality shows e passam à frente de quem estudou!!! É revoltante um país que convida esta geração a sair…como podemos crescer se as “mentes brilhantes” vão embora? Que governo é este que nao cria leis para despedir os incompetentes? Despedir aqueles que passam o dia a olhar para o relogio para ver qto tempo falta para ir para casa? Crise? Há crise, de facto, crise economica mas também crise de principios, crise de mentalidades, crise de competencia governativa…

  60. Edgar Silva

    Uma historia real que transpira a realidade actual de um pais vendido e hipotecado…um pais com um governo amordaçado incapaz de reagir pela nação pela pátria, julgo que muitos no governo falam da nação do estado da nação e esquecem a pátria da moral e da mórbida desmotivação do seu povo, o PM aconselhou a emigrar, parece que algumas empresas de milhões de lucros, seguiram o seu conselho e emigraram na procura de melhor fiscalidade…mas nem assim o governo da nação desperta para proteger a pátria que se afunda…

  61. Filipe Fale

    Muito bom texto. Eu nao fui para a caixa do hipermercado… Emigrei. Mas tambem jurei faze-lo no dia que o Santana Lopes virou PM, ou seja, quando occorreu a “Santanada” a mais cruel celebracao do Cavaquismo vulgo “Status Quo Pato-Bravo”. Vou partilhar. Obrigado.

  62. maria cândida pombo

    depois de todos os textos e comentários que li e de todos os que expressarão as suas opiniões,apenas me cabe dizer que fico muito feliz por partilhar convosco todos os desabafos. neste país (se é que podemos utilizar este nome)todos ficaremos a estajear até eu q já estou na reforma assim o sinto.Todos estes nomes do poder,que parecem mandar em nós,mas não,estam completamente enganados,porque NÒS estaremos sempre acima deles,porque ainda não entenderam(nem nunca vão entender)que o tempo deles já acabou e todos se irão afundar mais cedo do que imaginam.

  63. Muito falam

    Muito falam nestes tempos, muitos textos bonitos e redacçoes se tem visto relativas a estes tempos cada vez mais dificeis deste nosso país mas ainda ainda assim ninguem se mexe, ninguem se poe a frente para mostrar que isto nao esta a ser lidado como deve ser.
    Perto de 14 manifestaçoes em que ja estive presente para tentar mudar alguma coisa, houve até uma em que varios estudantes espanhois me perguntaram porque é que so havia 4 portugueses no meio de 30 espanhois numa manifestaçao portuguesa e nem tive coragem de responder…
    Estao todos com medo, todos a pensar so em si, todos a fazer o mesmo que o governo ja faz ha anos: Cagar nos outros e fazer o que pode pa se enriquecer. Ainda assim surgem perguntas “é preciso alguém fazer algo”… Que parvoíce.
    Quem lê isto também vê o que se passa neste país, não são cegos nem burros: O governo está novamente a roubar para si e para os seus, a pedir para apertarmos os cintos e depois eles compram 9 carros de luxo (os de luxo anteriores desapareceram?), queixam-se que não estamos a produzir muito e cortam-nos mais nos salários e aumentam as horas de trabalho, não deixam os idosos irem para a reforma logo os licenciados e afins não têm lugar no mercado de trabalho, pedem para consumirmos do nosso produto mas metem a preços mais altos do que os de fora, esbanjam milhoes em empreitadas e projectos absurdamente ridiculos numa altura destas (TGV para quê?) quando podiam estar a melhorar o que temos de melhor neste pais, milhares de terrenos das camaras abandonados ha anos e nem para dar a quem tem interesse de produzir produto portugues… em vez disso vendem aos espanhois e pagamos a eles para comer o que ca foi produzido.

    A estupidez/cegueira portuguesa esta a chegar a um ponto culminante que em tudo esta ligada á preguiça abismal de pensar no proximo, este egoismo atroz que destroi o que é portugal. Ja os nossos pais e familiares andam a pagar para podermos continuar a ter alguma vida depois da universidade enquanto nao temos essa capacidade, vao deixar que eles tambem se ergam por nos frente a este governo miseravel? Por amor de deus, eles ja o fizeram por si na sua altura, esta é a nossa vez!

    A soluçao é simples: O que o governo nos pede, o governo que nos de o exemplo. Eu ca nao acho correcto pedirem-nos que nos aguentemos quando eles continuam na maior como se a crise a eles nao chegou de maneira alguma. Querem ver este portugal sair desta miseria? Fiscalizem o governo e nao o façam com “os amigos deles”, senao a merda continua a mesma.

    Se continuaste a ler até aqui então é porque sabes do que falo e compreendes como isto está, se nada muda muitos portugueses vao viver na rua e vao todos fugir de ca e se quando isto acontecer, portugal morre e passa a ser um pais abandonado do 3º mundo.

    Posso nao ter o “parlapié” nem o conhecimento de escrita floreado que torna qualquer texto numa obra de arte mas sei-o fazer da melhor maneira, aquela que a verdade é: nua e crua.

    • Ana

      Gostei muito das suas palavras, “Muitos falam”!

      Antes de mais. parabéns ao Filipe pelo texto e pela consciência do valor (não-reconhecido) do André. E parabéns ao André – e aos muitos “Andrés” e “Andreias2 que há por aí.
      Mas era bom que mais gente reconhecesse que há e houve Andrés e Andreias em todas as gerações…
      As lutas de cada geração são diferentes. As condições que nos vão aparecendo pela frente também. A geração dos meus pais lutou por algo que a minha, dadas as pequenas ou grandes conquistas da geração anterior, já recebeu de herança. As lutas da minha geração – a geração a que chamaram “rasca” – foram outras. As da “Geração à Rasca”, como se apelidam, são outras ainda.

      Conheço pessoas da geração dos meus pais – e os meus pais – que labutaram muito para seguir em frente, sustentar uma família, continuar a acreditar num sonho adiado. Suportaram frequentemente condições económicas que a minha geração, talvez àparte a memória dos primeiros anos, já não teve que suportar.
      Na geração dos meus pais, muita gente viveu/vive à sombra do nome, das cunhas e das grandes fortunas.
      À minha geração também não são desconhecidos os trabalhos precários, a falta de reconhecimento de mérito, o fazer esticar os trocos ao fm do mês (quando chegam ao fim do mês) e sobretudo os sonhos adiados.
      Na minha geração muita gente viveu/vive à sombra do nome, das cunhas e das grandes fortunas.
      Na geração do meu filho há falta de esperança, falta de trabalho, falta de reconhecimento. Mas há a possibilidade de estudar como nunca houve antes, uma possibilidade que muitas vezes pode ajudar a manter os sonhos vivos.
      Na “geração à rasca” também há muita gente que vive à sombra do nome, das cunhas e das grandes fortunas…

      Na minha família sempre se lutou muito para (sobre)viver – muitas vezes à custa dos sonhos adiados. Para criar o meu filho, fui trabalhar muito cedo. Tive sorte, aos 22 anos consegui um “emprego”, como muitos lhe chamam, na função pública. Para mim foi sempre trabalho a sério, 15 anos de muita dedicação e muitas horas dadas ao serviço (mesmo dadas, sem qualquer compensação – nem mesmo o reconhecimento do mérito), acima de tudo num trabalho que detestava fazer por não concordar com muito do que é legalmente exigido ao povo. Também eu fui adiando o meu sonho, como vi fazer a tanta gente à minha volta, porque as minhas escolhas e as responsabilidades daí advindas mo exigiam.
      Ao fim de quase 10 anos consegui regressar à universidade para acabar a minha licenciatura (que paguei sozinha) e estou já a terminar um mestrado. Hoje, já deixei o meu emprego-trabalho há algum tempo, estou a trabalhar como freelancer naquilo que sempre quis fazer – com muito esforço, a esticar ainda mais os trocos ao fim do mês enquanto a nova carreira não ganha mais balanço, e a aceitar de novo a ajuda familiar sem a qual durante anos consegui sobreviver.

      Mas também eu penso em dar o salto para o exterior, assim que a oportunidade se proporcionar. Porque cada vez menos acredito que por cá se consiga, ao menos a breve trecho, mudar alguma coisa.
      Alguém disse aqui que a “culpa” do estado do país também é (e em grande parte) de quem andou a votar nos mesmos estes anos todos. Acreditam verdadeiramente que todas as gerações antes da vossa escolhem o mesmo, e só vocês vêem a realidade? Gostava de acreditar que as coisas mudariam, finalmente, quando toda esta “geração à rasca” puder votar – já que, afinal, a culpa é das gerações anteriores “que os lá puseram”. O mesmo digo eu e ouço dizer è minha volta…

      Tudo isto para ilustrar uma ideia muito simples – há gente encostada, gente com mérito, gente sem valores, gente que não é reconhecida, gente à rasca, gente rasca, gente que baixa as calças e gente com as calças na mão (e já sem espaço para mais furos no cinto) em TODAS as gerações.
      Portugal sempre teve grandes inteligências e gente de muito valor, a par com todas as outras que levam o país à vergonha.

      “Geração à rasca”, por favor, não generalizem. Uma das coisas que aprenderão com o tempo, como todas as gerações aprendem, é que a próxima geração terá queixas semlhantes relativamente à vossa e às que vos/nos antecederam…

  64. Isabel

    Vou so dar uma sugestão… Em todas as empresas publicas e privadas conhecemos pessoas que nada fazem, impedem de fazer e estão acomodadas… Olhem para essas pessoas ao lado de cada um de nós, por aí é que podemos começar a reformular este país. Aí é que não devemos ficar calados, aí se calahar podemos fazer alguma coisa para que as empresas comecem a melhorar e consequntemente este país.

  65. António

    Meus caros, isto já só lá vai da única forma que os faz mudar: ao tiro e à chapada. Eu não sou apologista da violência como forma de resolver as coisas mas começo a suspeitar que só quando virmos 4 ou 5 destes parasitas pendurados em postes de iluminação é que vão começar a haver mudanças. Não serei eu a fazê-lo, de certeza, mas não me admirava nada que alguém em desespero o fizesse. Eu, pessoalmente, aplaudia.

  66. Jorge

    Parabéns Filipe, sobretudo pela força de denunciar uma de tantas palhaçadas que todos testemunhamos na nossa vida profissional.
    Parabéns por ser um verdadeiro profissional, porque o mesquinho jamais falaria, porque o preguiçoso, o acostumado, o presunçoso jamais defenderia um estagiário, um “rival” aos seus olhos.

    Não vou maçar mais ninguém com outra “estória”, mas a minha em pouco difere do que já foi relatado anteriormente.

    Partilho apenas uma indignação. Uma indignação por ver cada vez mais pessoas em manifestação por ideais que não conhecem. Por tudo e por nada, mas sobretudo por ganhar uma ponte sobre um feriado, para não trabalhar mais meia hora.

    Estão indignados por terem cortes nos subsídios de férias? Avisem-me por favor a quem de direito me poderei queixar, às 6 entidades diferentes às quais passei recibos verdes nos últimos 4 anos para leccionar actividades extra-curriculares? Às duas Câmaras Municipais responsáveis pela contratação? Ao Governo que se prepara para “legitimar” os “falsos” recibos verdes, atribuindo-lhes o direito “principesco” de subsídio de desemprego, desde que concentrem 80% da sua facturação numa única entidade? A quem me queixo eu?

    Aos que se encontram refastelados às 16h30 a contar os minutos que falta para sair do belo poleiro, enquanto eu dou explicações até as 21h, aos sábados e domingos para ganhar algo mais, enquanto ultrapasso a cota dos referidos 80% que dão a almofada do desemprego.

    Não o quero.

    Porque me recuso a ver-me desempregado, porque me recuso a baixar os braços apesar dos estímulos da geração que cresceu com vacas gordas me dar cada vez menos alento para os erguer alto.

    Indigna-me, a terminar, sermos tratados como lixo, não pelas agências de ratting, mas pelos políticos que poucos elegeram. Maiorias? Pouco mais de 20% dos portugueses votaram no PR. Onde estavam os outros? Na praia? No café? De férias no estrangeiro? E agora, incomoda? Pois que doa, como diz o Filipe e bem, que doa a quem de direito, porque os “Andrés” deste país triunfarão pela certa, a bater pulso e a cerrar o dente, mas serão reconhecidos por quem saiba reconhecer valor. Agora, em que outro país que não este, cabe-nos a nós decidir.

    Coragem.

  67. João Picado

    Filipe, parabéns pelo magnífico texto. Fiquei uns bons minutos parado a pensar. É a verdade, pura e dura. Infelizmente, é mesmo assim, o André ou emigra ou acaba num supermercado. Não há ilusões. Mesmo que tenha uma oportunidade, todo o empenho, toda a dedicação acabam por ceder. Porque ao fim de uns anos de nem sequer recebermos pancadinhas nas costas, das duas uma, ou não passamos da cepa torta, ou então “propõem-nos” sair por causa da crise. Às vezes não dá para perceber se há volta a dar…

  68. PJ

    Portugal um país com 210 mil políticos profissionais que custam cada ano 4 mil milhões de euros a manter,,, políticos que sabem como domesticar o povo. Toca a dar ao povo algo para se entreter. Toca a eliminar os numerus clausus nas universidades públicas e deixar entrar tudo e todos. Assim ganha-se votos e o povo está feliz a ver os filhinhos na Universidade… Problema é que a economia do país não aguenta tantos licenciados… Os filhinhos adoram ser jornalistas porque desde crianças olham para a tv e miram os jornalistas. Deve ser fantástico e vou ter fama . Toca a ser jornalista. OU então vê um desfile de moda na tv. Ah… quero ser manequim! Ou então vejo um advogado no tribunal e que belo carro que ele tem. Ora aqui está o que quero fazer. Toca a tirar o curso superior que depois com uma cunhazita à maneira lá consigo! Ou então quero ser engenheiro das obras já feitas como o Sócrates. Ui isso SIM! Toca a tirar o curso e licenciatura com um belo de um fax! Já agora que sou o Primeiro-Ministro com letra Grande para que se veja bem toca a meter uns milhões num paraíso fiscal. Chamo a minha mãezinha e o meu sobrinho. Ora bem vcs passam a ter umas continhas bancárias no valor de 300 e tal milhões de euros! Mãezinha compra dois apartamentos em Lisboa. Um de 750 mil euros mais coisa menos coisa… e outro de 800 mil e tal. Pronto agora que já fui Primeiro-Ministro e saquei o meu vou tirar um cursito em Paris que estou necessitado. Até logo Portugal! Já cá tenho o meu filão no bolso para gozar à vossa custa!
    E depois desta linda prosa posso dizer que sou jornalista. Há 20 anos. Lutei muito e sei como este Portugal é. Não vejo futuro para as gerações mais novas e mesmo gente da minha geração não se livra do despedimento. Só para lembrar o Correio da Manhã e o Jornal de Notícias que dizem ser líderes de tiragens e etc… mas que despedem como nunca. E o Público que só não despediu porque os jornalistas concordaram em baixar salários. EU só digo isto. Há cursos de comunicação a mais. Para haver emprego para todos teria que haver 12 ou 15 países iguais a Portugal. Haverá uns 10 mil licenciados todos os anos a ambicionar ser jornalistas. É impossível absorver semelhante número.
    Por muito que esse André seja bom há centenas de “BONS” iguais a ele. Neste país onde em vez do mérito há uma lei de quotas porque parece que homens e mulheres tem de ter uma percentagem de 50% cada. Assim não é possível evoluir. Quem tem mérito e valor é que tem de ganhar o “LUGAR” E NÃO a senhora burrinha mas que está no poleiro porque tem uma lei feita à maneira. Enquanto houver politiqueiros a fazer leis deste calibre não é possível…
    A terminar digo o seguinte… Portugal está minado pelas cunhas, corrupção, tachos… Todos os dias lemos situações destas. Se houvesse pena de morte era fácil eliminar o podre da sociedade. Mas parece que a sociedade quer ser humanista e ficar com os corruptos. Assim não vamos lá…

  69. Maria

    Caro Filipe,

    Acho que tocou na ferida com este seu texto – vê-se bem pelos comentários. Muitos parabéns! Sou uma jovem de 25 anos, acabei a minha Licenciatura e vim viver para França, o meu irmão para a Austrália, a minha irmã vai também para o ano, e já são poucos os amigos que tenho a viver em Portugal. É pena, pois sentimos que no estrangeiro nos dão o valor que nos falta darem no nosso país. Só há um problema… Este não é o nosso país! Deixar a família e separar-nos dos amigos é o que custa mais, mas no meu caso foi o preço que tive de pagar para viver num sítio onde tenho oportunidade de vingar.

    Acredito que Portugal, com a nossa geração de “Andrés” instruídos, fortes e motivados, recupere e tenha por fim direito a uma civilização digna do País que tem potencial para ser.

  70. Ana Ferraz Pereira

    Forma brilhante de colocar a realidade

  71. Francisco Vogado

    Todos, ou quase todos, os que já manifestaram a sua opinião, ao excelente artigo que nos “uniu” estão de parabéns! Pois percebe-se que “entenderam o drama do André”, e na sua grande maioria, ou estão vivendo a mesma experiência, ou sofreram para serem “caixas de supermercado” ou emigraram!! Mas a questão que se coloca – e ela é referida também nalguns comentários – como é que se inverte a situação? Não sei! Não sei, mas sinto que não é pelo caminho para que me estão empurrando! E o problema não é do Sócrates, não é do Cavaco, do Passos Coelho, ou outros quejandos… o problema é que a solução para governar um país, não é mais a democracia que temos hoje. Claro que passa pela “participação democrática, da sociedade civil,dos profissionais – quer sejam empresários, quer sejam trabalhadores por conta de outrém – mas onde os partidos políticos, sejam parte da organização social, e não os “detentores exclusivos” do poder. Todos sabemos, porque é a praxis, que em Portugal, o poder tem sido partilhado entre dois partidos, e assim irá continuar nos próximos anos, se nada for feito em sentido contrário. Mas é assim em Portugal e igualmente na maioria das democracias ocidentais (apesar de tudo, parece ser o melhor sistema – o que parece estar errado, não é o sistema, mas os seus actores). MAS CUIDADO COM OS GOVERNOS DA CONFIANÇA DAS “TROIKAS”, POIS ESSES SÃO SEGURAMENTE PIORES… APESAR DE NOS SEREM VENDIDOS, COMO “NEO-SEBASTIANISMOS” PARA SALVAR A PÁTRIA!!
    Não tenho a solução… mas claramente que começa pela revolta interior, pela indignação, pelo protesto escrito, pela manifestação de rua…continua na participação nas eleições, numa maior exigência àqueles a quem damos o nosso voto; este processo é evolutivo para a responsabilização de quem gere a “causa publica” e … perdoem-me os jornalistas, os “opinion makers” pois eles são – na sua maioria – os mensageiros,que nos vão iludindo, com as promessas dos politicos, esquecendo demasiadas vezes, as suas contradições, as mentiras, os jogos de interesses… dos actores em cena! (Vidé a maioria dos noticiários das TV’s, ou as páginas dos Jornais… parece que a redação é única, pois dificilmente será possível haver uma maior unanimidade, nas noticias de abertura ou de 1ª páginas)

    Os políticos, não são bons conselheiros, não são bons gestores, não são bons analistas… mas então porque é que são escolhidos para governar o país? Deve haver uma forte reflexão, na sociedade civil, sobre este tema!

    Aos muitos “Andrés” que por cá temos, também eu sou solidário, com o seu drama pessoal e profissional…. e também não tenho solução para eles. Mas vamos conversando, deixem-nos exprimir as nossas opiniões, não nos tirem os instrumentos de escrita nem os meios, nem as escolas, nem as universidades… alguma coisa diferente, tem que surgir, destas novas gerações… desta nova forma de expressão, mais ampla, mais responsável, mais “intima” e mais solidária!

    Força e vamos em frente…

    Francisco Vogado

  72. Marta

    Parabéns pelo texto, acerta verdadeiramente na “mouche”. O drama é perceber que, pelo rumo que as coisas levam, a nossa comunicação social vai perder as pessoas que são capazes de escrever assim tão bem. Escrever bem é pensar bem, é muito mais do que saber conjugar verbos e aplicar regras gramaticais – mas cada vez menos gente tem consciência disso e valoriza essa competência. Eu estou prestes a abdicar da carteira profissional porque, ao fim de 2 anos de trabalho freelance “forçado” (após um despedimento em nome da “crise”), não ganho para comer. Acabou-se o sonho de menina: a partir de agora escrevo o que quem me paga quer que eu escreva. E encho o frigorífico.

  73. Jordana Nicolau Costa

    Louvo o autor e deixo a minha opinião: http://olabirintoconceptual.blogspot.com/

  74. Daniel

    A empresa pelos vistos não precisa do André para ter lucro. Ele que tente desafiar as vacas gordas em vez de querer ser mais uma.

  75. Nuno Marques

    Nice.

  76. Inês Ribeiro

    Obrigada por este texto, sumarizou e no tom certo, tudo aquilo que sinto e digo, há muitos anos, embora não com esta eloquencia! Perco-me nas palavras e na revolta. Obrigada Filipe! e Obrigada André, por esse impacto, que faz com que as gerações dos Filipes, continuem a barafustar porque vocês/nós merecemos mais do que isto.

  77. Toni

    Hoje li esta noticia [http://aeiou.visao.pt/declinio-do-cerebro-comeca-aos-45-anos=f641795] e entao penso: sera’ que o tio do Andre, com 50 anos e a trabalhar ha’ mais de 20 anos no mesmo sitio, e que agora nao por desleixo ou comodismo mas por forca da lei da natureza que ‘a idade nao perdoa faz em dois dias o que ha’ 10 anos fazia em um dia, deve entao ser despedido para que o Andre’, que com a tuza toda que a juventude empresta consegue fazer o mesmo hoje em meio-dia, seja contratado? E ja’ agora pela metade do salario do tio cinquentao?

  78. Teodoro

    Ao contrário do que texto refere, a culpa não é do Cavaco ou do Guterres!
    Esse e as suas pandilhas apenas se aproveitam de leis laborais que protegem quem está comodamente instalado na empresas e barra totalmente o caminho a quem anda por fora!
    A culpa é da comunagem que se instalou em Portugal no pós abrilada!
    Os que hoje têm os famosos direitos adquiridos…, enquanto isto não acabar e liberalizarem totalmente os despedimentos, a rapaziada que quer fazer alguma coisa vai ficar sempre à porta!

  79. IR

    Filipe,
    Dou-lhe os meus parabéns pelo excelente texto, pelo grito e pela vontade com que estas palavras lhe sairam da alma. Os “Andrés” deste país são muitos. A geração que cresceu conotada como “rasca” mostrou ao país que afinal é preciso deixar crescer para depois falar porque a geração cresceu, e ainda que tendo de baixar as calças, trabalhar de graça, mostra todos os dias o seu talento, a sua garra e a sua vontade.
    Feliz ou infelizmente (eu acredito que felizmente), esta geração onde o nosso país “cospe” todos os dias, tem lugar e voz lá fora. Todos os que conheço que têm saído de Portugal têm brilhado. E as estes eu digo, não voltem. Não voltem para um país que vos deixou sair, que vos fechou a porta e que nada vos deu. Se tiveram a coragem de sair, não voltem a não ser de férias e gastem o menos possível para não darem a ganhar a um país que nada vos deu. E aos “Andrés” que ainda acreditam neste país, deixem de acreditar, façam as malas e saiam. Saiam porque é isso que o nosso Primeiro Ministro vos diz para fazer e porque lá fora vão pagar-vos pelo vosso empenho, pelo vosso trabalho e pela vossa garra.
    Filipe, acreditei durante muitos anos que a nossa geração deveria lutar mas agora, à luz da maturidade que os anos de trabalho em Portugal me proporcionaram, digo-lhe que não. Não vale a pena lutar por um país que não nos quer, por um tecido empresarial que se manterá igual nos próximos 20 anos. Vale a pena lutar sim por quem nos abrir a porta e nos pagar pela nossa competência. Por isso, seremos portugueses lá fora, filhos de uma pátria que não nos quer e que nada tem para nos dar. Vamos ver Portugal a afundar de uma qualquer bancada principal que nos dê aquilo que Portugal nos tirou: oportunidades.

  80. Rui Nunes

    Gostei da hipocrisia deste jornalista, subindo para cima do pedestal
    do eco público que a profissão lhe permite e discorrer uma “verdade de
    la palisse” que qualquer indivíduo, que ainda reflicta qualquer
    coisinha, já tinha percebido há muito!
    Eu gostava é que ele escrevesse sobre a responsabilidade do mau
    jornalismo português, que vergado aos vários interesses instalados,
    vai manipulando a opinião pública, para de seguida se autoproclamarem seus
    porta-vozes com o suposto “sentimento da rua” e seus fait-divers…
    Se quer ser tão interventivo, deixe de ser tão abstracto e em vez de referir “O André foi o melhor estagiário que passou por AQUELA redacção” diga logo de que redacção se trata… Pois, isso já seria muito complicado, não é verdade!
    É muito mais confortável escrever algo sobre o qual todos irão concordar e ficar de consciência tranquila para poder ir descansado berber um copo ao BBC com os amigos jornalistas da tal “geração jota”…
    O que eu achei ainda mais patético, é quando ele escreve:
    “Hoje, é a geração que cresceu no tempo das “vacas-gordas” que vem
    falar de flexibilização laboral. Que fale. Que avance para a reforma
    do mercado de trabalho, sem medo, mas que entenda que isso só faz
    sentido se for para proteger os “Andrés” deste país. O problema é que
    a geração do poder, habituada a baixar as calças, fala pelos livros:
    leu por aí qualquer coisa sobre isso. Sopraram-lhe.” … …
    Já agora, expliquem-me lá uma coisinha: a que geração é que este
    jornalista Filipe Mendonça pertence??? Ah pois é… “O André foi o
    melhor estagiário que passou por aquela redacção desde que cheguei.”
    Oh meu querido, e quando foi que lá chegaste???
    Se o André, não foi contratado, foi porque o Jornalismo actual não quer mesmo os
    melhores… Para fazerem a porcaria que fazem, só pode ser mesmo com os amigos e as cunhas dos que já por cá andam… Para além do mais, os “Andrés” iriam irremediavelmente demonstrar o mau profissionalismo dos tais “Jotas” que nunca são identificados…
    Muito interessante, a propósito de comunicação social, é este artigo do Vítor Malheiros: http://www.clubedejornalistas.pt/?p=5214&print=1

    • Paulo

      Finalmente uma resposta sensata.

      1) as empresas servem para dar lucro. Se a empresa nao ganhasse o que ganha o Filipe passava a ser “André”

      2) o mercado funciona e no caso do jornalismo o problema está simplesmente nos clientes. Quem quer ler um artigo escrito pelo andré? Nao acredito que os “Josés” sintam a diferenca entre ler um copy-paste da lusa ou uma redaccao do andre, uma reportagem bem escrita em Portugues com conteudo interessante versus uma tradução duvidosa de uma revista internacional. o Jornalismo é fraco em todo o lado, não é só em portugal, mas o problema está nos cidadãos. Felizmente as empresas de comunicação perceberam isso à muito tempo e respondem ao mercado com o que ele quer: jornalismo rasco.

      3) o andré tem que olhar para o mercado e oferecer o que ele precisa. tem que escolher a funcao e o local! e deixem-se de sentimentalismos quanto ao ‘emigrar’. O mundo é redondo e a europa é mais pequena que o Brasil. Limitarmos as nossas opcoes a Portugal actualmente é simplesmente absurdo.

      4) O André se for bom vai-se safar, Digam só o ultimo nome para quando eu o ler na The Economist me lembar deste post :)

    • Rodrigo

      O José Vítor Malheiros tem muito, mas muito mais hipoteses do que a maioria das pessoas para “mostrar” exatamente o Portugal “que ele” quer mostrar, que obviamente não é aquele que as televisões mostram. O portugal do JVM é o Portugal não resignado, com multiplos discursos, onde há opções políticas verdaeiras e reais discordâncias, debates em pé de igualdade, alternativas e revoltas, Um Portugal “de esquerda” de combate, lutador, que vai conseguir mais dinheiro para todos e emprego e mais equidade e justiça social…….

    • Sandra Pimentel

      Caro Rui Nunes,
      Gosto sempre de um comentário que começa por apelidar de hipócrita quem, depois como disse, mais não fez que discorrer uma verdade de La Palisse. Subindo então a esse pedestal do eco público que nos dias que correm em meios como a blogosfera, o facebook ou o twitter já não depende das grelhas de televisão mas da vontade do utilizador anónimo divulgar aquilo que entende ser pertinente, este jornalista veio-nos contar, uma verdade que de tão evidente era rídicula, na sua opinião. Seguidamente atento à sua sublime preocupação em saber afinal de que redacção o amigo André terá sido chutado, querendo saber então, quem é este Filipe Mendonça e onde é que o malandro trabaçha que não nos quer contar. Aliás, não teno dúvidas que estes serão os mistérios mais interessantes para debater no meio desta verdade de La Palisse, tão absurda de usar num texto tornado público neste pedestal que o jornalista quis usar.
      Bem, afinal, afinal, o importante é denunciar o mau jornalismo vergado aos interesses instalado e manipulador da opinião pública. Tenho para mim que, permita-me, temos aí mais uma verdade de La Palisse. Não sei se lhe quer atribuir o mesmo critério, mas se me permite a reflexão, não será este exemplo do André e dos Andrés desta vida, também uma consequência desse mau jornalismo e desses interesses instalados?
      Eis que nos presenteia com o argumento dos “jotas”. Confesso que não atingi a ideia. Aliás, a ideia de haver jotas a trabalhar no jornalismo é por si só assustadora, mas não será esse o cerne da questão. Trazer à baila este argumento deixa-me pensativa. É verdade que esses jotas são a face visível dos interesses instalados, dos meninos que se vergam, mas neste contexto, acredite que fiquei sem perceber…
      Mas continuando. Afinal, este malandro deste jornalista está a usar o coitado do André para se autoproclamar porta-voz dos indignados. O Filipe Mendonça terá chegado antes à tal redacção que o caro comentador ou comentarista tanto quer saber qual é. Terá chegado e ter-lhe-á sido dada uma oportunidade que, pelos vistos, o André não teve. Mas sabe, não se trata aqui de sorte e azar. Trata-se de justiça e injustiça. São coisas diferentes, são aliás, fundamentalmente diferentes.
      Esta verdade de La Palisse é de facto uma evidência tão grande, que se torna ridícula. Mas sabe, até nisso este artigo é brilhante! Porque o universo informativo precisa mesmo de inventar menos e informar mais. E as pessoas estão a precisar de ouvir estas verdade de La Palisse porque há momentos em que parece que se esqueceram do mais elementar, do mais óbvio.
      O problema do André é um problema de justiça.
      E haja muitos Filipes Mendonça para nos dizerem verdades tão evidentes. Este seu comentário é a prova que estava mesmo a precisar de a ouvir/ler.

  81. Joao

    Texto muito bem escrito. Eu chamo, contudo, atenção para o Decreto Lei 66/2011.
    http://dre.pt/pdf1sdip/2011/06/10600/0302203025.pdf

    As pessoas precisam de conhecer os seus direitos e lutar por eles. Não podem ser cobardes. Se não as coisas não mudam.

    Cumprimentos

    • André

      Conheço bem esse excerto da legislação e em nada respeita este caso, conheço a legislação e estou ciente dos meus direitos. E tive-os. O problema é outro.

  82. Marta gomes

    AMANHÃ À NOITE:
    FESTA EM CASA DO FILIPE MENDONÇA! Tragam o André! (e cerveja)

  83. Henrique

    Bem, eu não sou muito de comentar este tipo de artigos, mas este principalmente tomei a liberdade de comentar, visto que retrata muito bem o que este país faz pelos jovens de hoje em dia.
    Sou um jovem com 27 anos, não acabei a licenciatura com muita pena minha, mas posso agradecer ao magnífico estado que temos de momento, que me fez abdicar de um sonho já antigo, mas não vou entrar por aí..
    Hoje estou desempregado, trabalhava horas a fio para conseguir ter uma vida razoável, não vou dizer boa, porque bom neste país, acho que só mesmo os aeroportos existentes para que possamos sair daqui, mas para ter uma vida mais desafogada e poder dar a minha filha aquilo que não tive.
    Já fui a várias entrevistas de trabalho, bem já perdi a conta de quantas já foram, já me fizeram tantas questões diferentes em tantas entrevistas, que até numa eu decidi enfrentar a pessoa que me estava a entrevistar, e quando ele me fez aquele pergunta fulcral que fazem sempre para saberem (não sei como), o que eu tinha para dar a empresa, eu de seguida perguntei logo, mesmo antes de responder, – O que tem a empresa para me oferecer a mim? Que condições de trabalho? Que projectos futuros tem para mim? Acho que não foi uma pergunta muito fácil para o entrevistador, olhou-me, e disse-me que primeiro queria saber o que eu tinha para dar, e continuei insistindo e até que disse que eu só poderia me empenhar em algo que saberia que teria retorno e conhecimento profissional.
    Não nos vamos deixar comer por “parvos”, se aqui não nos querem e sabemos que somos bons naquilo que fazemos, vamos dar a quem queira..
    Sempre fui contra a imigração,porque acho que podíamos ajudar o país a crescer e sair desta situação que está,mas mudei completamente a minha maneira de pensar, porque não vou ficar num país que não segura o futuro da minha filha,e finalmente este mês já estarei longe deste país que está destinado ao fracasso e a gente corrupta e lutarei por um futuro melhor fora de Portugal.

  84. Rodrigo

    Introdução: Tenho 45 anos, um trabalho que me realiza: tenho – por agora – saúde uma familia estável e feliz, com duas filhas de 7 e 13.
    Bom texto. Os “andrés” são fundamentais em qq empresa. Uma empresa que tenha a oportunidade de contratar um “andré” e não o faça ou ja tem os “andrés” suficientes para a sua estratégia ou então é mal gerida. Os “andrés” não querem dedicar o seu tempo e energia a empresas mal geridas, por isso muitos deles procuram quem os valorize, lhes dê hipoteses de crescer e se realizar, facture a empresa 9 M, 5 M ou 10 K. Se em Portugal – tristemente – não encontrarem quem os valorize só uma coisa a fazer; ir para outro lado !

  85. Pedro Miguel

    Quem é dedicado, competente e sabe estar no sítio certo com as competências certas, safa-se sempre. Sempre! A lei do mercado é essa, o bom é sempre recompensado. Isso do gajo que é espectacular a trabalhar e não tem oportunidades é a maior mentira que estão a tentar meter na cabeça desta Geração. Este choradinho do “coitadinhos de nós” já chateia. A Faculdade não é garantia de emprego. Façam-se “homens” e vão à luta, seja em Portugal ou noutro lado qualquer. Da Portela está-se em Londres ou em Barcelona em menos de duas horas. Ninguém gosta dos coitadinhos!

    • Anti-Geração à Rasca

      É isto.

      abraços do espadinha

    • Viana

      Nem sempre, caro Pedro.

      Mas tens razão, a regra costumava ser essa!

      ass: alguém que andou em Barcelona a bater de porta em porta, e que vai recebendo outros quantos relatos de Londres.

  86. Pedro

    Tanga. Isto para mim é olhar o assunto totalmente ao contrário. E quem já viveu em países mais avançados percebe do que eu falo. Para mim há três problemas e nenhum deles tem a vêr com patrões ou politicos mas com todos nós. Primeiro as empresas abusam,como qualquer um de nós abusa. Pouco emprego e muito empregado dá nisto. É a simples lei da oferta e procura. Se eu for a unica pessoa no país a saber concertar automóveis só vou arranjar os automóveis de quem me paga mais. Em Londres ou Dublin (há uns anos) se o patrão tratava mal , eu ia procurar outro emprego, por isso o patrão não tratava mal- antes pelo contrário. O segundo problema é a qualidade do que é produzido e a pouca valorização da qualidade. Os jornais são uma merda, os canais de tv são uma merda etc etc em geral o trabalho produzido é sobretudo focado em contenção de custos e na captação de mão de obra barata. Um jornalista é um jornalista! A terceira é a sedentarização da mão de obra. Não há rotatividade. Nas empresas onde trabalhei lá fora as pessoas saíam por vontade propria e eram despedidas. Aqui ninguém é despedido por muito pouco que faça, por muito pouco jeito que tenha para aquela tarefa. Aqui a culpa morre solteira. Fazer bem ou mediano é perfeitamente a mesma coisa porque ninguém quer chatices. Isto depois é um ciculo vicioso. Ninguém é despedido, os bons trabalhadores com vontade não podem entrar, o trabalhador com lugar fixo acomoda-se. O trabalhador acomoda-se e faz um trabalho mau.

    • Luís Ribeiro

      Bem Pedro, o seu texto em parte é verdadeiro, no entanto quando diz:

      “Para mim há três problemas e nenhum deles tem a vêr com patrões ou politicos mas com todos nós”

      e depois

      “Aqui ninguém é despedido por muito pouco que faça, por muito pouco jeito que tenha para aquela tarefa. Aqui a culpa morre solteira. Fazer bem ou mediano é perfeitamente a mesma coisa porque ninguém quer chatices. Isto depois é um ciculo vicioso. Ninguém é despedido, os bons trabalhadores com vontade não podem entrar, o trabalhador com lugar fixo acomoda-se. O trabalhador acomoda-se e faz um trabalho mau.”

      Existe uma contradição. É um facto que todos temos culpa no que fazemos (ou devíamos fazer e não fazemos), no entanto se ninguém quer chatices, se ninguém é despedido… tudo isto tem um único ponto de convergência,e esse ponto é que faz a legislação ou seja os políticos. Não deveria ser normal despedir mais facilmente 50 trabalhadores do que apenas 1… e isso é o que ocorre neste momento. Não é normal que um estagiário, que na realidade faz o mesmo trabalho que muitos dos tais “encostados” (e muitas vezes até melhor) não receba sequer 1 cêntimo pelo trabalho que executa e na maioria das vezes ainda tem de pagar para trabalhar. Não é normal que uma empresa que ganha os seus lucros num determinado país possa colocar a sua sede social num paraíso fiscal e dessa forma fugir aos impostos, mas um trabalhador que tem de suar para ter o seu misero ordenado ao fim do mês não possa fazer o mesmo (a solução passa por acabar de vez com esses locais criminosos onde se faz lavagem de dinheiro, onde se financiam terroristas e coisas afins)… por isso, o denominador comum é sempre o mesmo.. POLÍTICOS. São eles que na ânsia ganhar mais dinheiro… empobrecem todos à sua volta (em vez de políticos deveriam ser chamados de Eucaliptos). Muita coisa vai mal, e nós enquanto povo somos os culpados, mas além de mentalidade devemos mudar de políticos rapidamente. Devemos abandonar o Capitalismo Financeiro e apostar o Capitalismo Social… devemos deixar os “amigos” e apostar no mérito. É isso que este país preciso.. que apostem no mérito e no trabalho.

  87. estupido

    Andamos todos mansos!
    De vez enquando e para nos irem calando vão nos dando a(s) “côdea(s)”.
    Agora nem isso nos dão.

    Temos de “arrebentar” (por Gato Fedorento) este sistema que apenas beneficia sempre os mesmos incompetentes que estao constantemente à sombra da bananeira e nada fazem pelo País e ainda assim ganham prémios chorudos pelos maus resultados – os deputados sejam Opus Day ou Maçonaria, é correr com eles todos!

    Andamos todos mansos!
    De vez enquando e para nos irem calando vão nos dando a(s) “côdea(s)”.
    Agora nem isso nos dão.

    Beneficios só para quem merece, por MÉRITO!
    Deveremos ter as mesmas oportunidades que “eles” têm tido só porque conheçem o fulano A ou B mas sem recorrer a qualquer conhecimento.
    Era de “mete-los” a todos num barco para eles “emigrarem de vez” para fora do país e levarem com eles todos os parasitas da sociedade, seja “ele” qual for.

    Andamos todos mansos!
    De vez enquando e para nos irem calando vão nos dando a(s) “côdea(s)”.
    Agora nem isso nos dão.

  88. Cátia Nunes

    Parabéns Filipe Mendonça. Obrigada por escreveres aquilo que a maior parte de nós, infelizmente, sente. Tive o PRAZER de te conhecer e estagiar na redação da TVI, que foi, sem dúvida, uma excelente escola para mim. Repito, UMA EXCELENTE ESCOLA, digam o que disserem. Tenho pena sim, de não deixarem brilhar o André e os “Andrés” deste País, quando muitos jornalistas daquela redação estão o dia inteiro no facebook e baixam a cabeça para ver se passam despercebidos ao editor para ver se não fazem nada (e a pensarem, espero bem que não reparem que estou aqui). Isso sim dá-me mais que pena, dá-me frustração.

    Obrigada Filipe Mendonça!

    Beijos
    CN

  89. José

    O texto é interessante.
    Há comentários curiosos e outros menos curiosos.
    Todos falam, opinam,ironizam,conforme os seus estilos pessoais.
    É um problema da Geração (A) Rasca, só rasca ou outra geração qualquer.
    Só queria deixar algumas questões para podermos reflectir:
    Quantas centenas de Andrés e outros Manuéis haverá por esse país?
    Será que interessa muito se ele tem 25,45 ou 50 anos?
    Será que é o reconhecimento do mérito que interessa?
    Quer então dizer-se que todos os cidadãos dos paises alternativos onde o desemprego é menor são altamente competentes?
    Todos os cidadãos que sejam medianos estarão condenados a morrer á fome?
    Será que não estamos a assistir ao fim de um paradigma de organização social?
    Será que o que realmente está em causa não são os valores?
    Bom!… ficaria aqui a questionar e a questionar-me, mas como pertenço á geração dos “entas” ainda com “cu”(50) ,apenas gostaria de poder-me juntar com todos vós e repensarmos este país SIM!!! … mas também este mundo em que todos teremos que viver, mas certamente com outra organização,pois que a actual não é sustentável e muito menos JUSTA.

  90. Manel

    TRUE.

  91. Também eu, um André deste país

    Olá. Mts parabéns Filipe pelo texto.

    Também sou um dos Andrés deste país, o meu caso tá descrito no meu blog.

    http://syadnedlog.blogspot.com/

  92. Parabéns pelo texto…

    Poderá também gostar de ler em

  93. João Carlos

    Muitos Parabéns pelo Artigo.

  94. Anonymous

    Eu não me chamo André, mas falo por uma pessoa muito querida que se chama André. Ele tem um sonho e esse sonho ninguém poderá tirá-lo, nem os pessimistas desta nova era.Aquela canção do Zeca Afonso ainda está no ar: “Eles não sabem nem sonham, que o sonho comanda a vida, e sempre que o Homem sonha… o Mundo corre e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança…lá,rá,lá,rá,lá,rá…!Há que ter esperança, esta não deve morrer, mas se a fé já está morta, ou nunca existiu, em vão é o vosso esforço.

  95. Vanessa Oliveira

    Sou apenas mais um elemento desta geração. No entanto, tive alguma sorte. Licenciada em análises clínicas e saúde pública, ao fim de algumas centenas de CV, dezenas de viagens a laboratórios para entregar pessoalmente e apresentar-me aos responsáveis das mesmas, encontrei trabalho (um mês após ter terminado a licenciatura). A 50km de casa, em part-time e com um “salário” que após os devidos descontos nem para o combustível chega.
    No entanto, apesar das dificuldades não baixei os braços e continuei a procura de trabalho. E o que encontrei? Um mercado falso, oportunista que se aproveita da nossa geração, quase que escravizando-a. O mercado, principalmente na área comercial, oferece comissões miseras, sem salário base. Um exemplo em concreto: uma,de entre as varias oportunidades de “trabalho” que me candidatei, oferecia 300€ mensais pela venda de 15 serviços de multimédia e tv por telefone, no caso de vender apenas 14 serviços não veria um cêntimo ao final do mês. Tinha que convencer a população que em 2012, com o TDT o serviço de televisao gratuito iria acabar e que teriam que aderir a esta modalidade de TV paga. A população, que felizmente não anda tão “tapadinha” muitas vezes simplesmente desligava o telefone sem comprar qualquer serviço. Na sala de onde eram realizadas as chamadas, chegavam a estar cerca de 30 pessoas, divididas por mesas de 4 ou 5 pessoas, todas elas com os mesmos números de telefone. O cidadão em casa, muitas vezes acabava de desligar o telefone para este voltar a tocar, com a mesma conversa do outro lado da linha. E era suposto, convencê-los a comprar um serviço sem utilidade nenhuma, desta forma. 15 SERVIÇOS = 300€, 14 SERVIÇOS = 0,00€.
    Felizmente, ao fim de 3 meses de procura intensiva (em pleno mês de agosto), encontrei outro part-time, numa caixa de supermercado. 5 dias por semana, sem fins de semana, ao fim do dia. Numa altura que gostava de passar algum tempo na praia, mas a oportunidade tinha que ser agarrada. Nesse mesmo mês, surgiu uma oportunidade (outro part-time) como administrativa numa empresa de canalizações de energias renováveis, aproveitei claro. Actualmente, tenho 3 empregos, o meu tempo tem que ser gerido ao segundo para conseguir namorar e ter algum tempo para os amigos e para a família. No entanto, em termos financeiros, recebo menos do que a maioria das minhas colegas que começaram a trabalhar à 5 ou 6 anos. Alias, somando dos os meus salários, qualquer empregada de limpeza que trabalhe 40 horas semanais ganha mais do que eu.
    E será que vale a pena ter mais formação e conhecimentos?!

    Continuo a enviar currículos, a entrega-los pessoalmente, persisto e insisto até ser ouvida pelo recursos humanos em busca de uma oportunidade num laboratório. Preferencialmente, numa ETA, ETAR ou na área alimentar. Mas continuam a preferir os cursos profissionais, saem-lhes mais barato.

    Não desisti, nem penso desistir tão cedo. Valerá a pena?

  96. num mundo governado por velhos cavaquistas, que vendem tudo por mais uns tostões, que se estão a cagar para o planeta também por mais uns tostões, que nos roubam com mecanismos legais e nos deitam abaixo a tordo a direito, porque lhes ameaçamos o encosto; resta-nos viver aparte da sociedade, protestando e fugindo da forma que nos é legítima e que os telejornais tratam como criminosa e marginal.

    num país onde os combústiveis encarecem e somos incentivados a usar transportes públicos que são cada vez mais caros que a gasolina por KM e cada vez em menos periodicidade, resta-nos andar de bicicleta.

    que os andrés abandonem as gasolinas e os transportes públicos laborais e comecem a viver nas suas bicicletas laborais que estamos todos fartos de velhos que nos impoem modelos velhos de civilização e de vida e encontram sempre estratagemas, escondem-se atrás de leis para nos roubar.

  97. rita valente

    com 33 anos e um filho de 2 tive de abandonar a paixão pelo jornalismo e a exploração constante. tudo por uma vida melhor. é triste. após quase 10 anos na área eis que me vejo arredada das lides do mundo que realmente me realizava profissionalmente. é o país que temos…

  98. João P.

    vou para o Reino Unido. Deixo a minha mulher grávida.

  99. Pequena correcção, se me é permitida: a geração que está no poder não andou a lutar contra as propinas. Basta ver o currículo de Sócrates (nem é preciso mencionar a universidade) e de Passos Coelho, por exemplo (dez anos para se formar na U Lusíada). Ou seja, enquanto havia muitos a lutar pela democracia do ensino superior, estes meninos andavam lentamente a pagar cursos privados. Não, não é a luta anti-propinas que está no poder. Esses, conheço eu muitos pessoalmente, não só não estão no poder como vivem em situações alarmantes de precariedade. Um excelente post, mas um erro crasso. Se não for de má-fé, sugiro que o emende. Se for, nesse caso está a aproveitar-se do André, tal como os patrões que o dispensaram.

    De qualquer modo, repito, e tirando esse pormenor, excelente post. Obrigada.

  100. Sérgio Vitorino

    Eu, Sérgio Vitorino, baixei as calças frente ao ministro Couto dos Santos em plena guerra das propinas. Sou precário há nove anos e estou desempregado pela terceira vez no mesmo período. Dos 4 que realizámos essa acção, só um de nós não está actualmente desempregado e não se encontra precário, e esse tem um emprego banal. Não sei,portanto, que geração é esta que chegou ao poder, mas não é a minha, e não é claramente a que lutou contra as propinas, porque essa já estava e continuou à rasca.

  101. Texto muito, muito bom, parabéns! Espero que muita gente o leia e alguma se envergonhe. Mas quem se orgulha de baixar as calças já se envergonha com pouco…!

  102. Pedro Marques

    E qual é a garantia que temos que o André, assim que estivesse efetivo, não se tornaria mais um dos “encostados”?

    ou por outra, será que os “encostados” que roubam o lugar ao coitadinho do André não foram como o André quando eles próprios eram estagiários?

    a questão aqui é outra, meus amigos, e ninguém fala nisso, mas eu pergunto: porque razão somos obrigados a trabalhar 8 horas por dia a fazer coisas que não são precisas para nada? Porque razão obrigam as pessoas a trabalhar 8 horas por dia, muitas vezes bem mais, para produzir o quê, para dar de ganhar a quem? Que vida é esta?

    querem um motivo de luta? lutem pela redução do trabalho e não parem de alimentar o sistema que vos explora.

  103. Zelio

    Parabens pelo texto, de facto muito bom.
    Nao faco parte da “Geracao Andre” mas entendo muito bem o que se passa no nosso pais e nao posso deixar de concordar que e uma tristeza ter que se pagar para trabalhar e pior do que isso e saber que o dinheiro investido podera ter sido gasto em vao.
    Tambem ja “deixei” Portugal, a 1 vez entre 2007 e 2009 (regressei porque o meu filhote na altura tinha apenas 2 anos e tive 11 meses sem o ver (e sugere o Sr. 1 Ministro que os portugueses emigrem, sabe la ele o que e que cada um passa)) e desde Outubro que estou na Noruega.
    Nao sei como sera o dia de amanha mas nao tenho intesao de voltar….
    Queria apenas escrever “meia duzia” de palavras mas isto mexe comigo de tal forma que e quase impossivel falar pouco.
    So para terminar e depois de ter lido alguns comentarios, gostaria de dizer que somos MESMO portugueses….como e possivel alguem achar que trabalha de borla apenas quem quer?Desta forma nunca nos conseguiremos unir para lutar pelo que todos temos direito.
    Zelio Silva

  104. Hugo

    Desculpem lá, mas se é uma empresa que tem 9 Milhões de lucro (privada creio eu), vocês não podem culpar os políticos por não deixar o André trabalhar, o único culpado é o PATRÃO da empresa.

  105. Carlos Rente

    Muitos parabéns por este texto. Esta é a verdade que destroi o pais…
    Os jovens ou têm muita força de vontade ou ninguem os ajuda a crescer, e ja temos jovens que querem tudo dado… Faltam mentes que, para além de muitas palavras, consigam transformar em actos este fantástico texto.

  106. V.O.

    “És uma miúda cheia de garra, extremamente profissional e muito batalhadora, mas por motivos de contenção de custos vamos dar a vaga, que te oferecemos, a um elemento dos quadros da empresa! Adoramos o trabalho que desenvolveste durante o estágio e acreditamos que serias verdadeiramente capaz de desempenhar as funções que te propusemos, mas a administração não quer contratar mais ninguém!”
    Isto foi o que eu ouvi ao final de 6 meses de estágio não remunerado, onde derramei “sangue, suor e lágrimas”, mas sempre com um sorriso no rosto… Eu adorava aquela empresa e o meu trabalho. Contenção de custos disseram eles… Numa empresa que apresenta lucros na ordem dos milhões e onde existem funcionários cuja única qualidade que têm é terem “muitos anos de casa”!

  107. Luis Miranda

    Meu amigo tem toda a razão , mas a sua joventude está a dar cabo das novas gerações.
    Só se ganha dinheiro a trabalhar e a lutar , nenhum patrão lhe vai dar parte do lucro se não lutar por isso , ainda ontem o secretário da UGT lhe deu o mote.
    A Ugt foi formada para destruir os trabalhadores e favorecer os governos e o patronato , meu amigo se pença que o patronato vive sem lucro e o trabalhador sem patrão está enganado . Só que não é preciso levar os lucros só para um lado e retirar ao outro. Voçê só estudou porque o seu pai pagou e para isso trabalhou agora é a sua vez de lutar para pagar a reforma ao seu pai alimentar-se e pagar os estudos ao seu filho, e se for patrao ganhar algum já que deus não pode dar tudo.

  108. Anonymous

    Adorei ler.
    É assim o nosso país. O nosso mundo.
    Não tem espaço para os bons… apenas espaço para quem agora tem bons conhecimentos …!!!
    Força André!

  109. Anonymous

    Fantástico!

  110. António

    MUITO, mas MUITO BOM!
    É o que eu tenho vindo a dizer. E aquele papagaio do Miguel Gonçalves é outro “baixa as calças”. O Homem é um ser não socia(ve)l por natureza. E isso justifica que só olhe para o seu umbigo. E é pelo egoismo, pelo não olhar para o bem comum, que chegámos onde chegamos!

  111. isa

    obrigado sr filipe! por lembrar aquilo que ninguem quer realmente ver!

  112. Elisabete Teixeira

    Excelente texto! Parabéns!

  113. adalberto d. c. carrilho

    Os comentários e análises emitidas, levam-nos a pensar que, logicamente, os erros
    não passam pelas Administrações. Passam , isso sim, pela tristeza de governantes
    como os que temos e me dão vergonha e nojo.
    Enquanto não nos levantar-mos, nada irá para a frente. Levante-se o Povo e eu aju-
    darei. Digo ajudarei, dado que já estou numa outra situação. Também já passei por
    algo semelhante. Em frente com a Luta

  114. Albino

    Se todos os portugueses tivessem a garra do André este país estaria entre os melhores da europa.
    Assim, está entre os piores, com governantes destes naturalmente não haverá solução.
    É necessário união para correr com estes políticos rascos que nos sufocam.
    É necessário uma nova revolução!

Trackbacks/Pingbacks

  1. A geração André « Quem está mal que se mude - [...] O texto não é meu. O original encontra-se aqui. [...]
  2. A história do estagiário André - [...] os amigos. “Não há drama”, grita a geração do poder. Pois não. Nem futuro.01/01/2012 por Filipe Mendonça Poderá ...

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>