O que torna o Homem tão especial?
Basta pegar num livro infantil sobre a Evolução para que se leia acerca da superioridade do Homem face à de outros animais. “Ah mas o Homem pensa. É o único animal racional” entre outras alegações muito conhecidas para defender a supremacia de quem as diz e lê. No entanto, torna-se um pouco impreciso estudar a humanidade não tendo outras espécies para comparar com o Homem. Esta é a filosofia do Dr. Svante Paabo que trabalha no Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology em Leipzig.
De acordo com esta perspetiva, o Dr. Paabo, juntamente com o seu colega Philipp Khaitovich, desenvolveu estudos onde comparou a atividade genética no cérebro de Homens, chimpanzés e macacos. Os resultados, ao serem confrontados com o que já se sabe dos Neandertais, abriram portas para inferir as diferenças e semelhanças entre o Homo Sapiens e as outras espécies.
Foi dado especial privilégio a duas zonas distintas do cérebro: o córtex pré-frontal dorsolateral, responsável pelo pensamento abstrato e comportamentos sociais e o córtex cerebral lateral encarregue das atividades manuais. Através da extração de células post mortem quer de Homens, de macacos e de chimpanzés de várias idades, os cientistas foram capazes de perceber que genes estavam ativos quando estes estavam vivos.
Foi examinado o RNA de cada célula e assim possível ver que genes se encontravam ativos ao longo da vida de cada espécie. Os resultados foram divididos em seis categorias sendo que os genes exclusivamente humanos ganharam maior peso pois existiam em maior quantidade principalmente no córtex pré-frontal.
Sucintamente, chegou-se à conclusão que o cérebro do Homem tem maior plasticidade e como tal está mais recetivo a mudanças ao longo do tempo (até mais ou menos aos cinco anos). Os cérebros dos macacos e dos chimpanzés não são tão elásticos, apresentando modificações significativas até um ano após o nascimento.
O Dr. Paabo foi responsável pelo estudo de ADN em fósseis que serviu de inspiração para o tão conhecido filme Jurassic Park. Desde então ganhou um particular interesse na evolução do Homem e quem sabe não estaremos perante um Pleistocene Park (Plistocénico – o período mais antigo do Quaternário).





fotografias © Mariana Jeca / CLIQUE
