Carros (não) sustentáveis
Um grupo de investigadores da Universidade de Tennessee chegou à conclusão, após estudos efetuados na China, que os carros elétricos que aí circulam estão longe de trazer os benefícios ambientais que levaram à sua conceção. O facto de a energia elétrica chinesa ser produzida maioritariamente a partir do carvão em centrais elétricas faz destes carros apenas uma forma alternativa de poluição atmosférica.
“A questão é que é preciso considerar a exposição às emissões mesmo quando a sua fonte está distante – as centrais elétricas em oposição ao cano de escape de um carro” disse Christopher Cherry, um dos investigadores, à revista Time.
A circulação deste tipo de carro nas ruas chinesas em oposição aos convencionais traria vantagens ambientais se a sua fonte de energia fosse limpa e não implicasse o recurso a combustíveis fosseis. Scooters ou bicicletas elétricas, com um consumo baixo, podem, de facto, demarcar-se positivamente do carro comum, mas um carro elétrico exige um consumo de energia cuja produção implica níveis de poluição por quilómetro superiores à dos carros movidos a gasolina, e que, por isso, segundo este estudo, acabam por ser a melhor opção.
Apesar de longe da vista, a poluição mantém-se já que a saúde dos cidadãos continua comprometida. Ainda que os carros funcionem a bateria, o seu sustento implica a emissão de poluentes, que afetam sobretudo os habitantes de zonas periféricas mais próximas de centrais elétricas, e não diretamente os habitantes das cidades onde o carro circula.
O ambicioso plano verde da China, no qual foi inicialmente estabelecida uma meta de produção de 500.000 carros elétricos por ano, faz com que sejam as empresas estatais a controlar o fornecimento de energia elétrica A aposta chinesa tem atraído o investimento de privados como a Renault ou a Volkswagen e o país está cada vez mais perto de ultrapassar os EUA neste campo.





fotografias © Mariana Jeca / CLIQUE
